O volume de pedidos no e-commerce brasileiro chegou a 756,7 milhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 34,8% sobre o ano anterior. O dado é do relatório Da Compra à Confiança, da Confi, elaborado com Neotrust e Aftersale. O faturamento cresceu menos, 16,9%, porque cada compra ficou menor.
Comprar mais vezes e levar menos itens por vez muda a rotina de quem vende pela internet. Cada pedido separado, conferido e despachado carrega um custo fixo que não encolhe junto com o ticket.
Quantos pedidos o e-commerce brasileiro processou no primeiro semestre
Foram 756,7 milhões de pedidos registrados no varejo digital brasileiro entre janeiro e junho.
O número aparece no relatório Da Compra à Confiança, da Confi, que reúne dados de Neotrust e Aftersale sobre o primeiro semestre de 2026. No mesmo intervalo, o faturamento somou R$ 208,4 bilhões, avanço de 16,9% sobre a base de comparação.
| Indicador | Primeiro semestre | Variação |
|---|---|---|
| Pedidos | 756,7 milhões | alta de 34,8% |
| Faturamento | R$ 208,4 bilhões | alta de 16,9% |
| Ticket médio | R$ 275,50 | queda de 13,3% |
| Itens por compra | 1,97 | queda de 12,4% |
A leitura das duas colunas de variação é o ponto que interessa a quem opera uma loja virtual. O volume de pedidos no e-commerce cresceu praticamente o dobro do dinheiro que entrou no período.
Por que o faturamento cresceu menos que o número de compras
A resposta está no tamanho de cada compra, que encolheu enquanto a frequência aumentou.
O ticket médio caiu 13,3% e fechou o semestre em R$ 275,50, aponta o relatório Da Compra à Confiança. A quantidade média de itens por compra recuou de 2,25 para 1,97 no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,4% no tamanho do carrinho.
O consumidor passou a voltar mais vezes à loja e a levar menos coisas de cada vez. Para o caixa, o resultado é parecido. Para a operação, é outro trabalho.
Se o ritmo se mantiver, a projeção de vendas do comércio eletrônico para o fechamento de 2026 chega a R$ 462,5 bilhões, alta de 18,6%. O mesmo relatório, Da Compra à Confiança, projeta um segundo semestre ainda mais forte, o que concentra envios justamente no período das datas promocionais.
Mais pedidos exigem mais operação para o mesmo faturamento
O custo de separar, conferir, embalar e despachar acompanha o número de envios.
Quando o volume de pedidos no e-commerce cresce mais rápido que o faturamento, a operação absorve mais tarefas pelo mesmo resultado. Cada envio adicional carrega embalagem, conferência e frete, custos fixos que não encolhem junto com o ticket médio da compra.
Matheus Anselmo é fundador e CEO da LOG18K, empresa de armazenagem e envio de pedidos para marcas que vendem pela internet, com foco no mercado de suplementos e nutracêuticos. A companhia movimenta mais de 60 mil produtos por mês e atende mais de 30 operações ativas no país, o que exige logística escalável para acompanhar a variação de volume dos clientes.
O executivo explica que o descompasso entre pedidos e faturamento desloca o ponto em que o custo aparece dentro da empresa.
“Quando o número de pedidos cresce mais rápido do que o valor de cada compra, a conta operacional muda de lugar. A empresa passa a separar, conferir e expedir muito mais vezes para faturar o mesmo, e é exatamente aí que aparecem atraso, retrabalho e aumento de custo.”
Ele afirma ainda que o efeito não para na expedição e chega à decisão de recompra do consumidor.
“Marketing gera a venda, mas é a entrega que decide se aquele cliente volta. Num cenário de compras menores e mais frequentes, cada envio vira uma nova chance de manter ou perder o consumidor, e nenhuma delas pode ser tratada como rotina.”
Como as devoluções consomem parte da margem do varejo digital
Cada devolução recoloca o produto no estoque e retira uma fatia do valor daquela venda.
Problemas de tamanho respondem por 55% das trocas e devoluções, e uma devolução pode consumir até 65% do valor do produto, segundo os dados de pós-venda da Aftersale reunidos no relatório Da Compra à Confiança sobre o primeiro semestre de 2026.
O detalhe operacional está na aritmética. Se o volume de pedidos no e-commerce sobe e a taxa de retorno permanece parecida, o número absoluto de devoluções sobe junto. Cada uma delas ocupa conferência, reembalagem e logística reversa, sem receita nova para cobrir esse trabalho.
O que quem vende pela internet precisa ajustar agora
A conta muda quando o mesmo faturamento chega repartido em mais envios.
Estoque organizado, conferência antes da expedição e informação clara de tamanho no anúncio reduzem retrabalho quando o número de compras online cresce. A base de compradores online continua se ampliando no país, o que sustenta esse ritmo maior de frequência de compra.
A projeção da ABIACOM, publicada pela revista Varejo S.A, aponta 97,06 milhões de consumidores online e faturamento estimado de R$ 259,8 bilhões em 2026, dentro do número de consumidores online no país acompanhado pela entidade.
Mais gente comprando com mais frequência significa mais caixas saindo por dia.
Para o comerciante que vende pela internet, três pontos merecem observação direta na própria operação:
- Quantos pedidos a equipe consegue separar e despachar por dia sem hora extra.
- Quanto custa, em média, cada envio, somando embalagem, conferência e frete.
- Qual a fatia dos pedidos que volta como troca ou devolução e qual o motivo mais comum.
Acompanhar o volume de pedidos no e-commerce sem olhar para esses três números esconde o ponto em que a operação começa a comer a margem. Com ticket menor e frequência maior, a previsibilidade da expedição pesa mais do que o tamanho da vitrine.

