Os idosos no delivery do interior gastam em média R$ 725,63 por ano com pedidos de comida, segundo estudo do aplicativo aiqfome sobre o gasto do público 60+ publicado pelo Estado de Minas, de Belo Horizonte, em abril de 2026. O pedido médio é de R$ 59,19, com 1,05 compra por mês para cada usuário dessa faixa.
Para quem tem restaurante em Florianópolis e vende por aplicativo, o número desenha um cliente que pede pouco e gasta bem a cada vez. Entender os idosos no delivery ajuda a decidir cardápio, atendimento e escala do fim de semana.
O que o levantamento mostra sobre o cliente 60+ no delivery?
O levantamento descreve um cliente de pedido caro, compra rara e forte presença feminina, concentrado em cidades médias do interior.
Segundo o estudo do aiqfome de abril de 2026, os usuários com mais de 60 anos equivalem a 1,65% da base da plataforma, mais de 20 mil pessoas, e as mulheres somam mais de 52 mil pedidos contra 31 mil dos homens, com São Paulo, Minas Gerais e Paraná à frente.
Por que o recorte de cidades com até 250 mil habitantes importa
O estudo olha para o interior, com destaque para cidades com até 250 mil habitantes, e mede apenas quem usa uma plataforma específica. Por isso, o dado retrata os idosos no delivery de um aplicativo, e não o comportamento de todos os brasileiros mais velhos.
Florianópolis tem população acima desse corte e não está no foco do levantamento. Para a capital catarinense, a leitura vale como sinal de comportamento, sem servir de régua exata para o faturamento de um restaurante da Ilha.
Mulheres lideram os pedidos do público mais velho
A diferença entre os 52 mil pedidos femininos e os 31 mil masculinos indica que a decisão de compra, nessa faixa, passa mais pelas mulheres. Para o restaurante, isso pesa na escolha das fotos, na descrição dos pratos e no tom das mensagens de atendimento.
Por que os idosos chegaram aos aplicativos de comida?
Dois movimentos medidos pelo IBGE ajudam a entender o fenômeno, a vida mais longa e a entrada dos idosos na internet.
A expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024, alta de 2,5 meses sobre o ano anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que mantém o público mais velho por mais tempo como consumidor ativo.
A barreira digital ficou menor
O uso da internet entre pessoas de 60 anos ou mais chegou a 74,5% em 2025, a maior expansão entre as faixas etárias na comparação com 2024, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.
O grupo segue abaixo da média nacional de usuários da internet, que superou nove em cada dez brasileiros a partir dos dez anos de idade, segundo a mesma pesquisa.
Lidos juntos, os dois dados do IBGE indicam um público que vive mais e, em sua maioria, já usa a internet. Para o dono de restaurante, o cliente mais velho deixou de ser exceção no aplicativo e virou um perfil que merece atenção no cardápio.
O que pedido maior e menos frequente muda na conta do restaurante?
Cada pedido do cliente idoso pesa mais no caixa, e a chance de ele voltar depende da experiência anterior.
Com ticket médio, que é o valor médio gasto por pedido, perto de 60 reais e pouco mais de uma compra por mês, um erro de entrega ou um prato diferente da foto custa a recompra de um mês inteiro, e não apenas a de um dia.
Por que cada pedido do público 60+ pesa mais
Em perfis de alta frequência e valor baixo, um pedido ruim se dilui entre vários bons.
Entre os idosos no delivery, que compram em média uma vez por mês segundo o levantamento, aquele pedido é praticamente a única referência que o cliente leva até a próxima compra.
A recompra depende da experiência
A leitura do dado aponta para retenção por consistência, com o mesmo sabor, a mesma porção e o mesmo prazo de entrega a cada pedido. Promoção pode trazer o primeiro pedido, mas a volta do cliente depende da confiança de que o prato vai chegar como ele espera.
O caminho prático é acompanhar, no painel do aplicativo, quantos clientes voltam em até 30 ou 60 dias, em vez de olhar só o volume de pedidos da semana.
Como o restaurante deve se preparar para o pico de pedidos no fim de semana?
Sábado, domingo e sexta-feira concentram os pedidos do público 60+, o que pede equipe, estoque e cardápio prontos nesses dias.
A ordem dos dias vem do estudo do aiqfome publicado pelo Estado de Minas em 2026 e, para o restaurante, significa reforçar produção, estoque dos pratos mais pedidos e atendimento nos turnos em que esse cliente pede, evitando atraso e item esgotado.
Escala e estoque nos dias de pico
Hambúrguer lidera a lista de pratos do público 60+ no interior, seguido por pizza, marmitex e açaí, de acordo com o mesmo levantamento. Quem vende esses itens tem um motivo concreto para revisar a escala da sexta à noite e o estoque de domingo.
Cardápio legível e atendimento claro
Descrição objetiva, porção informada em gramas ou número de pessoas e fotos fiéis ao prato reduzem a dúvida antes da compra.
Letra pequena, nome criativo sem explicação e combos confusos fazem o efeito contrário para parte dos idosos no delivery, que lê o cardápio na tela do celular.
No atendimento, respostas simples no chat e a confirmação clara do horário de entrega ajudam o cliente a confiar no segundo pedido. Essas leituras são interpretação do perfil traçado pelo estudo e funcionam melhor como lista de checagem do que como regra fixa.
A leitura de quem acompanha o delivery dos restaurantes
Para consultores do setor, vender mais no delivery depende de dados, cardápio e operação, e não apenas de promoção.
Essa visão é defendida por Vanfer Brito, que soma mais de 15 anos de experiência no mercado de alimentação, em diferentes operações de food service, e fundou a GT Consultoria de Restaurantes, voltada a donos de restaurantes de todo o Brasil com operação de delivery.
O trabalho da consultoria passa por análise de dados de vendas, estratégias de cardápio e promoções, margem, atendimento, entrega, gestão das plataformas de delivery e acompanhamento de equipes.
Na leitura de Brito, o desconto sozinho não sustenta o resultado de uma operação de delivery.
Para ele, o resultado vem da análise de dados, da estrutura do cardápio, da margem, da experiência do cliente e da execução operacional, o que conversa com o perfil do público 60+ desenhado pelo estudo do interior.
Para o restaurante que atende clientes mais velhos, essa visão se traduz em olhar os números de recompra e de avaliação antes de lançar mais um cupom.
O que o restaurante pode revisar antes do próximo fim de semana?
Cinco ajustes simples aproximam a operação do perfil de idosos no delivery desenhado pelo estudo.
Todos partem dos dados de pedido caro, compra mensal e pico no fim de semana, e podem ser feitos sem investimento alto, com revisão do cardápio digital, da escala e das mensagens que o cliente recebe do pedido até a entrega.
- Reescrever a descrição dos pratos mais vendidos com ingredientes, porção e acompanhamentos.
- Trocar fotos que não mostram o prato como ele chega na casa do cliente.
- Reforçar a equipe e o estoque de sexta à noite, sábado e domingo.
- Padronizar respostas curtas e claras no chat, com horário de entrega confirmado.
- Acompanhar a taxa de recompra mensal, além do volume de pedidos da semana.
Quem vende para o público mais velho em Florianópolis e região ganha ao tratar cada pedido como o único do mês, porque, para boa parte desses clientes, ele é.

