30/10/2020 às 00h00min - Atualizada em 30/10/2020 às 00h00min

Falta de matéria-prima é desafio para 50% das indústria catarinense, diz Fiesc

Da Redação
Júlio Cavalheiro / Secom
A pandemia do novo coronavírus, entre outras coisas, criou uma série de problemas para a indústria. Em Santa Catarina, o maior desafio é conseguir matéria-prima para produção. De acordo com uma pesquisa da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), 50,5% das indústrias não estão conseguindo aumentar a produtividade justamente por causa desta escassez.

A paralisia da produção no estado se deu muito por conta da Covid-19, quando muitas empresas ficaram fechadas por um longo período de tempo, principalmente nos meses mais críticos, como março e abril.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, destacou a dificuldade dos empresários até mesmo para conseguir mão de obra. “E associado a isso há desafios na infraestrutura de transportes e no fornecimento de energia. Tem empresas que não estão conseguindo expandir as atividades por conta de limitações como essas”, afirmou.

Em sua apresentação, Bittencourt explicou que à medida que alguns países iam entrando em lockdown, parte das cadeias iam sendo afetadas, com a parada da produção. E o retorno desses fluxos foi mais devagar do que se esperava.

“O restabelecimento das correntes de comércio nas cadeias produtivas deve demorar um pouco ainda e isso ajuda a explicar as dificuldades para comprar insumos. De 40% a 70% das empresas brasileiras, segundo dados do IBGE, registraram problemas com fornecedores na primeira quinzena de setembro. Isso é fruto dessas grandes dificuldades internacionais”, reforçou, observando que as empresas de menor porte são as que estão com maior dificuldade para conseguir matérias-primas.  

Depois de uma queda no nível de consumo do varejo, que alcançou em abril níveis de vendas de 2010, a economia reagiu e em agosto o desempenho das vendas chegou a níveis superiores a 2014.

 “Essa forte retomada nacional também ajuda a explicar o descompasso entre oferta e demanda dos insumos”, salientou Pablo, lembrando que o vigor da retomada tem a ver com o auxílio emergencial que chegou a um terço da população.

Sondagem especial realizada pela FIESC em parceria com a CNI, apontou que 64,5% das empresas consultadas informaram que estão com dificuldades para atender a demanda e 36,9% delas relataram que a demanda é maior do que a capacidade de produção.

De acordo com a pesquisa, 43% dos industriais ouvidos acreditam que a normalização no atendimento aos clientes ocorrerá de três a seis meses enquanto que 46% responderam que a normalização deve ocorrer em até três meses. Apenas 11% dos entrevistados acreditam que o desajuste vai se manter por mais de seis meses.

Mesmo tendo acesso aos insumos por um preço mais elevado, 46,1% dos respondentes informaram estar com dificuldade de ter acesso às matérias primas produzidas nacionalmente. Para 33,2% dos empresários industriais, o motivo está relacionado ao aumento da demanda acima da capacidade; enquanto que 25,6% acreditam que o preço elevado é reflexo do desequilíbrio entre oferta e demanda.
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