11/10/2023 às 17h08min - Atualizada em 12/10/2023 às 00h00min

Igreja no Brasil lança campanha para apoiar comunidades que sofrem com os efeitos das estiagens na Amazônia   

Desmatamento predatório e ausência de políticas públicas prejudicam a convivência com o fenômeno

REPAM - Brasil
Foto: Divulgação/ São do Rio Solimões em Tefé 

A estiagem nos territórios amazônidas atingiu um nível alarmante neste ano. As consequências afetam o volume dos rios e estão atingindo diretamente diversas comunidades que sobrevivem diretamente da biodiversidade dos rios. São territórios rurais que, com a intensidade das secas deste ano, ficam isoladas e necessitam de auxílio para se alimentar e ter acesso a água potável. “Estamos enfrentando uma estiagem como nunca vista antes por aqui. Dependemos do rio, somos um povo da água. Os rios são tudo para nós, e a nossa sobrevivência está na dependência dos rios. A situação ambiental está cada dia mais agravante, e as populações vulneráveis são as que mais sofrem. Nosso coração sofre quando vemos essa situação, e precisamos de ajuda urgente.” diz Márcia Miranda, agente da Cáritas Brasileira Articulação Norte 1, em Manaus.   

 
Dados divulgados pelo Governo do Amazonas no início de outubro indicam que já são mais de 50 mil famílias afetadas pela estiagem, em um total de 200 mil pessoas que estão com dificuldades em todo o estado. São 24 municípios em estado de emergência em todo o Rio Solimões.  

Frente a esse contexto preocupante, a Cáritas Brasileira e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), lançam a campanha “SOS AMAZÔNIA: APOIE A VIDA, DOE AGORA”, com o objetivo de auxiliar as famílias que estão passando por dificuldades neste período emergencial na Amazônia. Os recursos arrecadados pela campanha serão utilizados para aquisição de produtos de primeira necessidade, que serão distribuídos para as famílias atendidas pela rede de solidariedade da igreja católica nas regiões impactadas pela estiagem.  
 
Faça sua doação agora e integre essa rede de solidariedade em defesa da vida do povo da Amazônia!  

 
Luiz Marajó comunicador e ativista marajoara, natural de comunidade ribeirinha do município de Ponta de Pedras (PA), fala que os possíveis danos vão de impactos direto como o risco de vazamento das plataformas petroleiras dentro do período de exploração, sumiço de peixes, além da alteração no modo de vida da população local. A forma como a população se relaciona com o rio, o oceano, o mangue, o litoral e também os impactos indiretos que acabam vindo a longo prazo, como a maior circulação de pessoas e o agravamento de problemas sociais. É uma população que historicamente é vulnerável do ponto de vista educacional e econômico. Os grandes projetos da Amazônia nos ensinam que os riscos e problemas tendem a piorar com a maior circulação de pessoas, criação de portos, aeroportos e os impactos que a infraestrutura exige para a operação. Essas são as preocupações dos impactos que surgem imediatamente e aqueles que surgem em decorrência.

“Como marajoara e como parte dessa região costeira da Amazônia espero que o Governo Federal com as promessas de políticas voltada para Amazônia, quanto a sua proteção, tenha coerência em medidas que não agrave a região, embora seja na margem equatorial em frente à Foz do Rio Amazonas a gente sabe o quanto isso traz de impacto para todos. Em um momento que a gente fala em transição energética das preocupações com as mudanças climáticas e o aumento da temperatura do planeta cria-se uma nova fronteira para explorar Petróleo portanto de combustíveis fósseis é muito contraditório, em um momento a gente deveria estar colocando todos os nossos esforços para uma transição limpa, justa e que não coloque as populações tradicionais em risco”, destaca Luiz Marajó da Ilha do Marajó no Estado do Pará.

O processo de licenciamento ambiental para exploração de gás fóssil na área do Campo de Azulão, localizado entre os municípios de Silves e Itapiranga, no interior do Amazonas, foi judicializado. A empresa não incluiu no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) a consulta prévia e informada às comunidades indígenas das etnias Mura, Munduruku e Gavião, localizadas na região. 

Cacique Jonas Mura, representante das seis aldeias indígenas da região fala que exploração de gás natural dentro do território indígena pela empresa Eneva, entrou no território sem consulta, iniciaram a exploração de gás sem consultas aos povos indígenas e sem saber quais impactos poderiam sofrer nessa questão de petróleo e gás e quais os danos sócio-ambientais e de saúde ocasionados por essas exploração de petróleo de gás.

O cacique disse que as comunidades deveriam ter sido consultadas sobre o empreendimento, o que nunca aconteceu desde que a Eneva iniciou a produção comercial do campo de gás fóssil de Azulão. “Em nossa região nós estamos sofrendo um grande impacto ambiental, sobre a questão dos transportes de caminhão com gás nas rodovias, já teve caminhão que virou espalhando o gás na região. O gás também está sendo queimado e afeta com a fumaça tóxica, a caça fugiu com barulho, os peixes também sumiram  com tanto barulho de motor das balsas e guindastes, além das ameaças que as lideranças sofrem.  Esperamos que as medidas governamentais e principalmente de proteção contra a implantação de mais outros projetos Petroleiros de gás na Amazônia, que ouvissem e que fizessem um protocolo de consulta através da população indígena  do município de Silves que hoje passa por esse momento delicado”, afirmou o Cacique. 

Defender a floresta e sua rica biodiversidade é o que mais os povos indígenas quilombolas e comunidades tradicionais têm feito pelo Brasil, a exploração de petróleo e gás na Amazônia é um debate que precisa ser feito e amplamente discutido com toda a sociedade civil organizada. É lamentável todos esses tipos de danos socioambientais e de saúde nos territórios. As comunidades locais já disseram antes não querer extração de gás na região, as operações expõem seus territórios a vazamentos, desmatamento e invasão. 


 

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