20/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 20/03/2021 às 00h00min

​Pesquisadores da UFSC apontam causas e soluções para o colapso

Da Redação
Mauricio Vieira / Secom
Ao longo dos últimos dias, professores e pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) têm intensificado as manifestações públicas com orientações e sugestões para que a sociedade catarinense possa superar o grave momento da pandemia de Covid-19.

Entre as propostas apresentadas estão a de aumentar os cuidados pessoais de distanciamento, uso de máscaras e higiene; promover a testagem em massa da população e investir fortemente em monitoramento dos casos ativos e dos seus contatos, com isolamento dos casos positivos; acelerar a aplicação das vacinas e aumentar a quantidade de doses disponíveis. Também são sugeridas campanhas de esclarecimento sobre a confiabilidade e a importância dos imunizantes e para induzir a empatia social e o cuidado coletivo.

A situação emergencial exige também a ampliação da capacidade de atendimento médico-hospitalar, medida vista como imprescindível no momento, mas considerada como último recurso. As ações, segundo os especialistas, devem buscar principalmente frear a circulação do vírus e diminuir o contágio, aliviando a pressão sobre o sistema de saúde.

Para isso, as principais medidas sugeridas são a suspensão temporária das aulas presenciais e a adoção, pelo poder público, de regras mais rígidas de restrição à circulação de pessoas, incluindo a suspensão, por ao menos duas semanas, de todos os serviços e atividades não essenciais.

Depois disso, quando as condições sanitárias permitirem, eles recomendam prioridade para o planejamento do retorno seguro às escolas e a fiscalização rigorosa das atividades econômicas liberadas. Essas propostas têm o objetivo de diminuir os adoecimentos e as mortes causadas pela pandemia, com o mínimo de prejuízo à atividade econômica.
 
“As medidas devem ser ampliadas para mitigar o impacto da Covid-19 e, quando possível, a prioridade deve ser abertura de escolas em vez de outras atividades econômicas”. Alexandra Crispim Boing, professora do Departamento de Saúde Pública, em 15 de fevereiro de 2021.

CAUSAS.

Nas manifestações dos especialistas da Universidade, são citadas muitas causas para o agravamento da pandemia de Covid-19, sendo a responsabilidade compartilhada pela sociedade e os poderes públicos. Vão desde o cansaço de muitas pessoas e relaxamento com os cuidados à falta de empatia e solidariedade por parte de segmentos sociais. Envolvem a falta de planejamento e coordenação nacional das ações de enfrentamento à pandemia, ações ineficazes por parte de governos municipais, falta de ações e medidas efetivas em âmbito estadual. E são agravadas pela circulação desenfreada do vírus e surgimento de novas variantes.

“A Ciência continua dizendo: fiquem em casa; usem máscara; evitem aglomeração! E se o Estado não respeita a ciência, nós respeitamos.” Ubaldo Cesar Balthazar, reitor da UFSC, em 9 de março de 2021. 

Um dos documentos mais contundentes de alerta sobre a situação de crise atualmente vivida foi um manifesto assinado por mais de 100 professores e pesquisadores da UFSC, intitulado “Os 10 pontos necessários para acabar com a pandemia“. Na carta aberta à sociedade catarinense, publicada no dia 25 de fevereiro, os especialistas da UFSC convidam a uma reflexão urgente “para evitarmos um retrocesso de difícil reparação nos sistemas de saúde e educação, ou no desenvolvimento humano, econômico e social”.

Os professores citam algumas ações e atitudes que nos conduziram até este ponto, como a nossa incapacidade individual e coletiva de cumprir quatro recomendações de prevenção que conhecemos desde o início: distanciamento, uso correto de máscaras, higiene e ventilação dos ambientes. Também citam o egoísmo sistemático de grupos de pessoas, que se isentam de responsabilidade sobre o coletivo “em nome de uma suposta liberdade individual”.

A liberação de atividades sem fiscalização rígida do cumprimento de normas de prevenção ajudou a compor o cenário. Essas liberações buscaram mitigar os efeitos da pandemia sobre a atividade econômica, mas “terão na sua maioria os efeitos contrários, pois levarão inevitavelmente a uma extensão do período pandêmico, a elevação potencial de sua severidade e todas as suas consequências negativas”.

No documento, os especialistas recomendam que a volta das aulas presenciais deve ser revista e adiada até que exista o controle da pandemia. O retorno às aulas presenciais também foi  tema de um manifesto do colegiado do curso de Licenciatura em Pedagogia, do Centro de Ciências da Educação (CED) da UFSC, em solidariedade aos trabalhadores em educação no Estado, publicado em 24 de fevereiro.

Os professores questionaram o Decreto Estadual 1.153, de 15 de fevereiro, que previa a possibilidade de reabertura presencial das escolas de educação básica mesmo em regiões do Estado classificadas com risco potencial grave ou gravíssimo. “Ao reabrir as escolas presencialmente, o risco de contágio se amplia com o aumento de circulação de pessoas no transporte público, familiares, comunidade escolar e sociedade de um modo mais amplo”.

Na carta, os professores manifestam-se contra o retorno às aulas presenciais neste momento e sob estas condições, porém ressaltam a importância e a necessidade de retomada da atividade.

“Os professores anseiam pelo retorno presencial às atividades, pois o processo remoto limita o processo educativo”, declararam. Outros profissionais da UFSC também manifestaram preocupação com o longo afastamento dos estudantes do ambiente escolar e defenderam que a volta às aulas deve ter prioridade em relação a outras atividades, quando as condições sanitárias permitirem um retorno seguro para todos.

Essas são medidas emergenciais que devem ser colocadas em prática rapidamente, no entanto os pesquisadores estão cientes de que são necessárias ações estruturais e duradouras para que o País possa se preparar para enfrentar futuros desafios. É consenso a necessidade de voltar a investir em ciência, de forma sólida e contínua, para que o Brasil possa alcançar autonomia na produção de fármacos e não ficar dependente de companhias e governos estrangeiros.

“Precisamos de um conjunto articulado e eficaz de ações que nos permita reduzir a circulação do vírus e assim evitarmos que nós próximos meses convivamos com sucessivas ondas de alta de casos, de hospitalização, com colapso do sistema de saúde, com alta de óbitos, retardando a retomada econômica a médio e a longo prazo”. Antonio Boing, professor do Departamento de Saúde Pública, em 1º de março de 2021.

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