22/03/2023 às 10h54min - Atualizada em 23/03/2023 às 00h02min

Consumo exagerado de alimentos ultraprocessados pode levar à morte precoce, alertam nutricionistas

Os profissionais da Nutrição Paula Nahas e Gabriel Lacerda explicam o que são alimentos ultraprocessados, quais são os perigos do consumo em excesso e como reduzir a ingestão deles no dia-a-dia.

SALA DA NOTÍCIA Beatriz Ortiz | Rede Comunicação
Imagem: Freepik. Uso gratuito.
Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, da Universidade de São Paulo, da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile estimaram que os alimentos ultraprocessados podem causar a morte prematura de 57 mil pessoas por ano no Brasil, superando o número de vítimas de homicídio no país. A pesquisa, que considera como mortes prematuras as vidas perdidas de pessoas com idade entre 30 e 69 anos, foi realizada com base em dados de 2019.

Mas, o que são ultraprocessados? “São alimentos tão processados pela indústria alimentícia que apresentam desconfiguração no seu valor nutricional”, explica a professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Una – que integra a Ânima Educação –, Paula Nahas. Em outras palavras, são formulações industriais produzidas com partes de alimentos e misturados com aditivos sintetizados em laboratórios. Eles apresentam baixo perfil nutricional e ampliam o risco de mecanismos inflamatórios.

De acordo com Nahas, para identificar os ultraprocessados, é preciso ler os rótulos dos alimentos. “Sempre confira as informações nutricionais dos alimentos comprados. Quanto mais ingredientes o produto tem, mais ele é manipulado pela indústria – e, no geral, ultraprocessados têm mais do que cinco ingredientes”. Alguns ultraprocessados são: alimentos congelados e embutidos, como pizzas, salsichas e nuggets; refrigerantes; e outros carregados de sódio, açúcar e gordura saturada.

A pesquisa evidenciou a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados, o aumento de peso e o maior risco de várias doenças, como câncer. “O consumo de ultraprocessados em quantidades exageradas e frequentes a longo prazo tem associação com doenças crônicas, principalmente as metabólicas, como obesidade, hipertensão e diabetes, podendo levar à morte precoce”, esclarece Nahas.


Mudanças de hábitos

Uma vez diagnosticadas, as doenças adquiridas pelo consumo exagerado de ultraprocessados acompanham os pacientes pelo resto da vida. Nesse caso, um dos tratamentos é mudança no estilo de vida, incluindo os hábitos alimentares.

“A recomendação principal para a população brasileira é que se reduza significativamente o consumo de ultraprocessados”, orienta Nahas. “Isso não significa que as pessoas nunca mais possam consumir bolacha recheada ou macarrão instantâneo, por exemplo, mas que a base da nossa alimentação deve ser composta por alimentos naturais, complementados por alimentos processados”.

Para reduzir o consumo de ultraprocessados, algumas orientações de Nahas são: planejar as refeições da semana, levando em consideração a rotina; buscar informações sobre os produtos alimentícios; e, principalmente, contar com o apoio de um profissional. “O nutricionista pode orientar o paciente a montar a melhor dieta alimentar para a sua realidade, esclarecer informações sobre os alimentos e dar dicas para o preparo de refeições mais saudáveis”, esclarece.


Pesquisa local

O estudante egresso do curso de Nutrição do Centro Universitário Una, Gabriel Lacerda Santos, realizou uma pesquisa semelhante sobre o consumo de ultraprocessados. Quando ainda era aluno da Una, Lacerda defendeu o TCC “Produtos in natura e industrializados: efeitos à saúde humana”, com orientação da professora Paula Nahas.

Em sua pesquisa, Gabriel realizou uma revisão sistemática baseada em artigos para conscientizar as pessoas sobre o alto risco relacionado ao uso exacerbado de produtos industrializados, abordando o grande impacto deles na saúde e o quão importante é o uso de alimentos in natura para a manutenção da saúde humana.

“Os alimentos in natura são produtos que saem diretamente da fazenda do produtor, sem sofrer nenhum tipo de alteração na sua composição, diferentemente dos alimentos industrializados, que são expostos a vários tipos de conservantes e corantes antes de chegar à mesa – o que leva à grande quantidade de gorduras e açúcares e à pouca quantidade de fibras neles”, explica Lacerda.

“A conclusão que nós tivemos é que as pessoas devem, sim, aprender mais sobre a alimentação. Alimentação é tudo na nossa vida e nós temos que dar mais importância a esse quesito”, defende Lacerda. Atualmente, ele tem pós-graduação em Nutrição em Neuropsiquiatria e Nutrição Esportiva e trabalha como nutricionista.


Sobre a Una

Com mais de 60 anos de tradição em ensino superior, o Centro Universitário Una, que integra o Ecossistema Ânima - maior e mais inovador ecossistema de qualidade de ensino do Brasil, oferece mais de 130 opções de cursos de graduação. Foi destaque na edição 2022 do Guia da Faculdade, iniciativa da Quero Educação com o jornal ‘O Estado de São Paulo’, com diversos cursos estrelados em 4 e 5 estrelas. A instituição preza pela qualidade acadêmica e oferece projetos de extensão universitária que reforçam seus pilares de inclusão, acessibilidade e empregabilidade, além de infraestrutura e laboratórios de ponta, corpo docente altamente qualificado e projeto acadêmico diferenciado com uso de metodologias ativas de ensino. A Una também contribui para democratização do Ensino Superior ao disponibilizar uma oferta de cursos digitais com diversos polos de educação.
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