07/03/2023 às 15h55min - Atualizada em 09/03/2023 às 00h03min

Tempestade solar: isso pode acabar com a eletricidade e a internet? 

Daniel Guimarães Tedesco 

SALA DA NOTÍCIA Valquiria Cristina da Silva Marchiori

Você vive sem internet hoje? E sem eletricidade? Acredito que a resposta seja não. E se eu disser que é possível que podemos ter ventos solares que podem acabar com a nossa eletricidade? Pois é! Além do clima, precisamos estar de olho no espaço também!  

Em fevereiro nossa atenção se voltou para o sol pois o Centro de Previsão de Clima Espacial (Space Weather Prediction Center) da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) que é uma agência do governo americano,  responsável por monitorar, estudar e prever as condições meteorológicas, oceânicas e climáticas do país, emitiu notas sobre uma tempestade geomagnética que ocorreram entre os dias 16 e 18 de fevereiro, devido aos efeitos do que os astrônomos chamam de ejeção de massa coronal (CME - Coronal Mass Ejection), que são, basicamente, partículas carregadas que viajam pelo espaço em todas as direções.  

Para vocês terem uma ideia, a escala utilizada pela NOAA para classificar as tempestades geomagnéticas é a escala G (geomagnética), que varia de G1 a G5, com G1 sendo o menor nível de atividade geomagnética e G5 sendo o mais intenso. Condições G1 aconteceram em 17 de fevereiro e condições G2 em 18 de fevereiro. 

Essas tempestades podem ter efeitos significativos na Terra, afetando operações de satélite, a rede elétrica, animais migratórios e as Luzes do Norte. As tempestades solares de nível G2 podem afetar os sistemas de energia de alta latitude, disparando alarmes de voltagem, e as tempestades de longa duração podem causar danos aos transformadores. Além disso, ações corretivas podem ser necessárias para espaçonaves orbitando a Terra. É importante lembrar que os sinais de rádio e GPS também podem ser afetados por uma tempestade solar G2.  

Embora as tempestades solares possam afetar negativamente alguns sistemas elétricos e de telecomunicações, estas partículas que entram na atmosfera geram a Aurora Boreal, que é um fenômeno deslumbrante que pode ser visto em latitudes elevadas, justamente por conta do campo magnético da Terra. Entre os dias 16 e 18 de fevereiro ocorreram as tempestades solares e com uma coloração diferente, devido a grande massa ejetada do Sol. Geralmente, o fenômeno tem tons de verde, mas o que está ocorrendo são luzes verdes e vermelhas em diversos pontos. 

De forma resumida, as tempestades solares são um fenômeno natural que ocorre quando a atividade magnética na superfície do Sol aumenta com ejeção de partículas carregadas que atingem a Terra. Elas interagem com o campo magnético do planeta e podem causar perturbações no campo magnético da Terra, resultando em tempestades geomagnéticas. Isso pode afetar os sistemas de comunicação, como sinais de rádio e GPS, bem como os sistemas de energia, como redes elétricas. Mas com isso vai acabar a eletricidade? 

Chegaram até a veicular sobre um apocalipse na internet e o mal funcionamento dos sistemas por conta da radiação, mas somente notícias bem exageradas sobre fenômenos astronômicos. A ciência também sofre com as fake News! Então vamos aos fatos: eventos como o Blackout em 1989 em Quebec no Canadá e o Evento Carrington em 1859 são decorrentes de tempestades geomagnéticas.  Em 1989, um grande apagão no Canadá foi causado por uma tempestade solar, e em 1859, linhas de telégrafo foram rompidas e as auroras polares puderam ser vistas em muitos lugares. É claro que se estas tempestades solares ocorressem em grande escala hoje em dia, as consequências poderiam ser ainda mais graves, devido à nossa dependência de satélites e da informação que eles fornecem. Isso poderia levar a um prejuízo de bilhões de dólares em todo o mundo e causar interrupções significativas na energia e na comunicação. Mas eventos desta magnitude estão cada vez mais raros com a diminuição da atividade solar. Eventos recentes não passam da escala G3, que comparado ao Evento Carrington (ranqueado como G5), são bem pequenos. 

Monitorar as atividades solares tem se mostrado eficaz com o avanço tecnológico e com os modelos teóricos atuais. À medida que a precisão das previsões melhora, é possível antecipar tempestades e outras atividades solares. No entanto, apesar dos avanços, ainda há pouco a se fazer em caso de uma explosão solar de grande magnitude. Neste caso, é interessante que os países do hemisfério norte tenham um planejamento para lidar com possíveis tempestades solares em maiores. 

Então, para hoje, se você é um urso polar e precisa de um GPS para encontrar o caminho para casa, se prepare! Mas não se preocupe, se algo der errado, sempre podemos culpar o Sol dessa vez. 

Daniel Guimarães Tedesco é Doutor em Física pela UERJ e professor de Matemática e Física dos cursos de Exatas da Escola Superior de Educação no Centro Universitário Internacional Uninter 


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