16/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 16/03/2021 às 00h00min

Máscaras, como utilizar de forma correta? Especialista da UFSC explica

Da Redação
Agecom/UFSC
N95, PFF2, tecidos antivirais, algodão, TNT, com ou sem filtro, 3D, envelope, bico de pato, com ou sem válvula, caseiras, descartáveis, cirúrgicas, face shield, duas, três, quatro camadas… Desde que, em abril de 2020, a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a recomendar o uso de máscaras para a proteção contra a Covid-19, observamos uma crescente oferta e variedade de modelos, industrializados e artesanais, para a venda, isso sem contar os inúmeros tutoriais do tipo faça-você-mesmo que podem ser encontrados após uma rápida busca no Google. 

Em meio a tanta diversidade e com a constante atualização do conhecimento científico relacionado ao assunto, é normal que nos sintamos confusos. Quais as diferenças entre os modelos? Que máscara usar em cada situação? Quais os materiais mais adequados? Preciso comprar máscaras descartáveis? Posso confiar nas versões caseiras? Essas são algumas das dúvidas que o professor Carlos R. Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), buscou esclarecer.

PROTEGENDO A SI E AOS OUTROS.

O primeiro ponto é que o uso correto das máscaras é, sim, essencial toda vez que sairmos em público. Elas, contudo, não substituem outras medidas, como a higienização das mãos e, principalmente, o distanciamento social. “O que temos que levar em consideração sobretudo é que o mais importante é o distanciamento social. Enquanto aplicamos o distanciamento social, ajudamos as máscaras a funcionarem melhor. Mesmo usando máscaras N95, nós nos colocamos em risco se estivermos em locais aglomerados”, enfatiza Zárate-Bladés.

Também vale ressaltar que, ao utilizar as máscaras corretamente, estamos cuidando dos outros e de nós mesmos. Além de reterem a nossa emissão de partículas e aerossóis, elas também atuam como uma barreira que nos protege da contaminação. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, aponta que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo coronavírus.

NOVAS VARIANTES E RECOMENDAÇÕES.

O aumento de casos de Covid-19 e a identificação de novas variantes do Sars-CoV-2 aumentam a preocupação e a necessidade de cuidados preventivos. No início deste ano, alguns países europeus chegaram a proibir o uso de máscaras caseiras e exigir a utilização das industrializadas nos espaços públicos.

Zárate-Bladés explica que a mudança não foi na forma de transmissão, mas na presença de variantes mais agressivas do coronavírus, com maior capacidade de transmissão. Para ele, entretanto, não precisamos abandonar totalmente as máscaras caseiras. Apesar de recomendar o uso das N95 ou PFF2 para ambientes fechados e/ou com maior exposição, ele reforça que, quando feitas com os materiais apropriados e usadas corretamente, as máscaras caseiras podem ser vestidas com segurança em locais abertos e/ou com baixa circulação de pessoas.

“Quando feitas do jeito certo, elas têm uma ótima efetividade de não deixar passar gotículas e também são bastante efetivas contra certos aerossóis”, comenta. As gotículas respiratórias, às quais ele se refere, são aquelas liberadas pela tosse, espirro ou fala, que atingem uma pequena distância e logo caem no chão ou em alguma superfície. Já os aerossóis são partículas menores do que as gotículas, capazes de permanecer em suspensão no ar por períodos prolongados. Ambos são considerados meios de transmissão do Sars-CoV-2.

PFF2 ou N95

Para começar, é preciso esclarecer que PFF2 e N95 são dois nomes diferentes para a mesma máscara. O primeiro é utilizado para a certificação brasileira, enquanto o segundo é empregado nos Estados Unidos. Quando comparada às máscaras de pano ou cirúrgicas, ela é a que apresenta maior efetividade para a proteção contra o coronavírus.

Além de possuir uma estrutura com poder de filtragem superior, oferece melhor vedação – ou seja, fica completamente presa ao rosto, potencializando a retenção de gotículas e aerossóis. As máscaras do tipo estiveram em escassez no início da pandemia e foram direcionadas prioritariamente para os profissionais da saúde. Agora, no entanto, já podem ser facilmente encontradas para compra.

“Sabendo que estão circulando variantes, e mais de uma variante, em Florianópolis, dessas variantes que são clinicamente importantes, eu recomendaria que as pessoas adquiram algumas PFF2 para aquelas ocasiões em que vão estar mais expostas”, afirma Zárate-Bladés. Alguns exemplos de situações em que o professor indica a utilização delas são consultas médicas, idas a banco ou supermercados em horários de maior movimento, transporte público e viagens. Salienta-se que o nível de risco de cada ambiente varia em função de uma série de fatores, e, portanto, deve ser analisado caso a caso. Lugares fechados, mal ventilados e com uma maior aglomeração de pessoas oferecem maiores riscos e devem ser evitados quando possível, mas o tempo em que a pessoa passa nesses locais também pesam para a avaliação.

Um exemplo são os corredores e elevadores de prédios residenciais: “Moro num prédio relativamente antigo, os corredores são um pouco estreitos, mas é um prédio de quatro andares, e eu, quando saio, vou de escada, e somente quando volto ao prédio subo de elevador. Evito o uso do elevador, que é um ambiente fechado, mal ventilado e pequeno, para me transportar em metade das necessidades. E como é curto, somente quatro andares, eu confio na minha máscara caseira. Já para os funcionários que trabalham no prédio, que ficam muito mais tempo nos corredores, limpando os próprios corredores, limpando o elevador, para eles tem que ser máscara PFF2”, comenta o professor.

AJUSTES NO ROSTO.

Tão importante quanto a escolha do material que compõe a máscara é o seu ajuste no rosto. É essencial que ela tenha uma boa vedação, que não deixe espaços para o ar escapar por cima, por baixo ou pelas laterais, diz o especialista.
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