01/03/2021 às 00h00min - Atualizada em 01/03/2021 às 00h00min

Doação de computadores muda rotina de crianças e adolescentes acolhidos

Da Redação
Divulgação
Os parceiros do programa Novos Caminhos, iniciativa da Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (Ceij), do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, identificaram como a inclusão digital entre crianças e adolescentes em situação de acolhimento é frágil. Com a pandemia, essa realidade veio ainda mais à tona, daí a criação de uma campanha para doação de equipamentos de informática a essas instituições, que são cerca de 200 e atendem mais de 900 catarinenses a partir dos 6 anos de idade. Em algumas delas os donativos já chegaram e estão mudando os dias de quem está distante da família e da sociedade.

Na Serra catarinense, casas de acolhimento de nove cidades receberam computadores de mesa ou notebooks em novembro do ano passado. As duas unidades de Lages ganharam os dois equipamentos. No Serviço de Acolhimento Institucional para Criança e Adolescentes (Saica) I, que fica no bairro Guarujá, os aparelhos têm servido para reuniões, aulas on-line e, especialmente, conversas com as famílias.

A coordenadora, Valdirene Chagas, conta que com a pandemia as visitas ficaram proibidas e as chamadas de vídeo, por exemplo, mais importantes. "Tínhamos computadores, mas sem câmera. Percebo como faz diferença. Eles conseguem ver e sentir pelo tom da voz como estão seus familiares. É fundamental que eles mantenham esse vínculo". Contato que é mantido, em alguns casos, com os irmãos que já foram adotados.

Nas aproximações com pretendentes à adoção essa ferramenta também será usada. "Melhorou muito. Com as chamadas de vídeo, consigo falar com a mãe e matar a saudade", conta um adolescente. "Quando sinto que meus irmãos estão tristinhos, a gente liga para ela para conversar e isso faz bem", reforça. O acolhido ainda usa o computador para estudar e conversar com os amigos. "Faço muita pesquisa. Com os tutoriais em vídeo fica mais fácil de aprender inglês e matemática. É diferente de apenas ler." E não é só aí que o computador tem ajudado. Ainda há a terapia on-line. "Converso com a psicóloga pelo computador. Na primeira vez foi estranho, mas daqui a pouco a gente acostuma. Tudo está se tornando digital."

Formação de alunas destaque

No Vale do Itajaí, sete instituições de acolhimento receberam os equipamentos doados por meio do Novos Caminhos, entregues no ano passado em Blumenau. Quatro computadores e nove notebooks têm ajudado a manter em dia as atividades educacionais das adolescentes participantes do programa e também a rotina de estudos das casas de acolhimento. 

Em Gaspar, no Lar das Meninas, a coordenadora Ellana Rutzen Formento compartilha que o computador e o notebook estão sendo muito bem utilizados. Logo após a doação, eles foram formatados e em seguida disponibilizados às adolescentes. Além de auxiliar na rotina de estudos e dar continuidades aos cursos de forma on-line, os equipamentos possibilitaram a participação das meninas nas audiências feitas por videoconferência.

Atualmente, das oito adolescentes acolhidas, quatro participam do programa Novos Caminhos. "Esta parceria é muito importante, elas se dedicam nos cursos e até disputam para ser a aluna destaque. Com o retorno das aulas no Estado, elas também poderão utilizar o equipamento para pesquisa, trabalhos. Veio em ótima hora e tem ajudado muito com a nova rotina", observa a coordenadora.

Reforço nas atividades escolares

Na região Norte, o Lar Abdon Batista de Joinville recebeu cinco computadores no mês de novembro, através do programa Novos Caminhos. A coordenadora da instituição, Giane Busko Correia, destaca que os computadores foram essenciais para a realização das pesquisas escolares e também para os estudos do dia a dia dos jovens. A instituição atende 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na maior cidade de Santa Catarina.

"Vivemos um grande desafio diante da pandemia e, como todos os estudantes, nossas crianças também tiveram que se adaptar com as aulas on-line. Estes computadores recebidos foram muito importantes para que as crianças e jovens pudessem realizar suas pesquisas", explica a coordenadora.

Ela comenta que uma pessoa é responsável pela organização e revezamento do uso dos equipamentos digitais. "Possuímos um cronograma e, desta forma, cada adolescente/jovem sabe qual é seu horário e seu dia para utilização do computador", informa.


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