13/02/2021 às 00h00min - Atualizada em 13/02/2021 às 00h00min

Polícia de Santa Catarina aposta em tecnologia 3D para identificar vítima

Da Redação
Um escâner 3D intrabucal de última geração vem que sendo testado no Laboratório do Setor de Antropologia Forense do IML/IGP de Florianópolis
A integração entre a Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) e a tecnologia possibilitaram a identificação de uma vítima de homicídio ocorrido em abril de 2020, em Florianópolis. Foi através da Delegacia de Homicídios da Capital e do Setor de Antropologia Forense do IGP.

O corpo, que estava no Instituto Médico Legal da Capital, foi identificado pela análise de arcadas dentárias. O método consiste na comparação das particularidades dentais constatadas no exame cadavérico e as registradas em prontuários odontológicos, exames por imagem ou, até mesmo, em fotografias divulgadas em redes sociais.

Orientados pelos peritos do IGP, investigadores realizaram buscas pelos prontuários odontológicos da suposta vítima, sem sucesso. No entanto, expandindo o leque de buscas, conseguiram localizar uma fotografia antiga da vítima, com seus dentes à mostra. Era possível verificar uma série de características únicas, como ausência de dentes, além da presença de desgastes e de tratamentos dentais.

A equipe utilizou um novo recurso tecnológico que permitiu a digitalização dos arcos dentais do cadáver em três dimensões (3D). A sobreposição do modelo 3D virtual sobre a imagem fotográfica demonstrou a coincidência entre os registros, pondo fim a uma espera de cerca de nove meses pela confirmação da identificação da vítima.

Ao ser sobreposto à imagem fotográfica, em menos de meia hora de análise dos peritos, restou confirmada a identidade da vítima, que era de São Paulo, foi executada a tiros e teve o corpo parcialmente queimado e enterrado na região da Serrinha, em Florianópolis.

O corpo havia sido encontrado no dia 30 de abril de 2020. Em razão do estado avançado de decomposição, o exame de impressões digitais era inviável. A análise de DNA também não foi possível, uma vez que a mãe biológica estava presa em um presídio do interior de São Paulo e as limitações de acesso ao presídio impostas pela pandemia o impossibilitaram.


Trabalho minucioso

Em paralelo, o caso também foi referido ao setor de Odontologia Legal e Antropologia Forense, que orientou a Delegacia de Homicídios e, com a fotografia em mãos, os peritos dedicaram cerca de três horas para buscar os dentes e fragmentos ósseos dos arcos dentais em meio às demais partes do corpo da vítima, cuja região da cabeça e face estava severamente fragmentada em razão dos tiros.

Em outras três horas de limpeza, exames macroscópicos, radiográficos e minuciosa remontagem anatômica, o material odontológico estava pronto para ser digitalizado. O arco dental remontado foi submetido ao escaneamento 3D e em poucos minutos estava convertido num arquivo digital.

O caso revelou a importância da integração pela identificação de vítimas desconhecidas e do trabalho investigativo, contribuindo para dar respostas a famílias angustiadas pelo desaparecimento.
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