23/01/2021 às 00h00min - Atualizada em 23/01/2021 às 00h00min

Santa Catarina tem colheita antecipada de uvas

Da Redação
Arlindo Rech Filho
A falta de chuva em 2020 impactou de forma positiva na produção de uva de mesa: os frutos estão com mais qualidade, visto que o clima seco contribuiu para a sanidade dos parreirais, e a grande quantidade de dias quentes proporcionou o amadurecimento prematuro dos cachos, antecipando a colheita em 10 a 15 dias em 2021. As informações são do pesquisador André Luiz Kulkamp de Souza, gerente da Estação Experimental da Epagri em Videira (EEV).

Segundo ele, o volume de produção deve ficar dentro da média. “O diferencial será a qualidade, que promete ficar acima da média. Teremos uvas doces e bonitas. Com menor quantidade de chuva, os parreirais ficaram mais sadios e demandaram menos pulverizações, pois a maioria das doenças da cultura precisa de umidade para se desenvolver e, nesta safra, não encontrou essa condição. O excesso de chuva também faz com que o produtor colha a fruta antes dela atingir o grau de maturação ideal para evitar o apodrecimento dos cachos, e isso também interfere na qualidade”, ressalta o pesquisador. 

Essas informações são confirmadas pelo viticultor de Videira Edson Antonio Grando, que começou a colheita com 10 dias de antecedência, em 10 de janeiro. Segundo ele, a fruta está com cor mais acentuada e com maior teor de açúcares, o que melhora o preço de venda das variedades destinadas à produção de suco.  

O pesquisador da Epagri explica que o auge da colheita em Santa Catarina acontece entre janeiro e fevereiro, período em que são colhidas as chamadas uvas de mesa, de variedades mais rústicas e que caracterizam o maior negócio vitivinícola do estado. A principal variedade é a Isabel, seguida da Bordô e da Niágara, que têm a maioria da produção transformada em suco ou vinho de mesa no Meio-Oeste, mais precisamente no Alto Vale do Rio do Peixe, a maior região produtora. Os principais municípios produtores são Videira, Pinheiro Preto, Tangará e Caçador. Os maiores compradores da fruta catarinense são os estados de São Paulo e a região Nordeste.

PRODUÇÃO NO ESTADO.

Santa Catarina é o quarto produtor nacional de uva de mesa, com cerca de 50 mil toneladas anuais, atrás do Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo. Segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa), o valor bruto da produção (VBP) no estado, ou seja, o valor bruto recebido pelos agricultores pela venda de suas produções, é de R$ 55 milhões. Depois da maçã, a uva é a segunda fruta de clima temperado com maior participação no VBP em SC.

A cultura envolve cerca de 2,2 mil agricultores familiares e uma área plantada de 3,5 mil hectares. O Alto Vale do Rio do Peixe responde a 60% da produção estadual. “Esses números se referem à produção comercial. Mas é importante ressaltar que o cultivo de uva tem um papel social e cultural muito forte entre os imigrantes italianos, que plantam para autoconsumo, tanto in natura como em vinho, processado em suas propriedades”, diz o pesquisador André. 

A família de Edson Grando faz parte dessas estatísticas. O agricultor cresceu entre os parreirais e se diz apaixonado pela viticultura, atividade herdada do avô, que no passado veio do Rio Grande do Sul para cultivar a uva em Videira. “A cultura vale a pena porque a produção é estável e o mercado está sempre aquecido. É mais rentável se comparar com outras frutas”, afirma o Edson, que também se dedica ao cultivo de ameixa e pêssego, mas a uva é a atividade principal, desenvolvida por ele, esposa e filho, com assistência técnica da Epagri. Em 2018, ele aderiu a um programa municipal de incentivo à vitivinicultura e aumentou seu pomar de uva de 4 para 7 hectares. Sua média de produção está entre 25 a 30 toneladas por hectare.

Segundo a Epagri/Cepa, a viticultura está presente em mais de 73% dos municípios catarinenses. Em Santa Catarina, predomina a produção de vinhos de mesa e sucos, mas nos últimos anos houve incremento na produção de vinhos finos nas regiões de altitude, o que está relacionado à tendência de aumento de consumo de vinhos finos no Brasil. Também está crescendo a produção de vinhos espumantes, o que acompanha a evolução de consumo em todo o País. Verifica-se, ainda, importante aumento na produção de suco de uva.

A produção de uvas destinadas para a produção de vinhos finos de altitude está no Planalto Serrano e a colheita é mais tardia, entre março e abril. Outro negócio catarinense é a uva Goethe, produzida no Sul de SC, e colhida no período de final de dezembro a final de janeiro. Essas uvas, ao contrário do restante do estado, tiveram sua colheita atrasada em alguns dias. 
 
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