23/05/2022 às 07h00min - Atualizada em 23/05/2022 às 07h00min

Estudo da UFSC identifica espécies vulneráveis de aves em áreas com núcleos agroflorestais

Da Redação
Divulgação
Ouvindo o canto dos passarinhos, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina chegou a importantes resultados sobre os chamados Sistemas Silvipastoris com núcleos agroflorestais, áreas de pastagens com núcleos agroflorestais implantados para beneficiar as propriedades e o meio ambiente na região do encosto da Serra do Rio do Rastro. Além de sombrearem o pasto e resultarem em um alimento de melhor qualidade para o gado leiteiro, as agroflorestas inseridas na pastagem estão atraindo aves inéditas para esse tipo de região. Agroflorestas são áreas que reúnem cultivo de interesse do produtor e plantas da floresta.

A pesquisa de doutorado de Gisele Francioli Simioni, intitulada Biodiversidade de aves: a importância do componente arbóreo em sistemas pastoris, teve parte dos seus resultados publicados no artigo Response of birds to high biodiversity silvopastoral systems: Integrating food production and biodiversity conservation through applied nucleation in southern Brazil, que circulou no periódico Agriculture, Ecosystems & Environment, um dos mais relevantes da área. A tese foi orientada pelo professor Abdon Luiz Schmitt Filho, com coorientação dos professores Alfredo Celso Fantini, Fernando Joner e Benedito Côrtes Lopes. O artigo também é assinado por Joshua Farleyd e Alexandre Moreira.

O objetivo da tese foi caracterizar a variação da riqueza e composição de aves entre áreas pastoris sem e com núcleos e em remanescentes florestais, avaliando, assim, o impacto desta mudança na paisagem das pastagens na diversidade de espécies. O estudo foi conduzido em quatro propriedades rurais que trabalham com produção de leite à base de pasto localizadas no bioma Mata Atlântica. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Sistemas Silvipastoris e Restauração Ecológica, que produz uma série de investigações sobre como núcleos agroflorestais nessas áreas contribuem com a agricultura e favorecem o ecossistema.

“Os núcleos são, literalmente, quadrados de cinco por cinco metros espalhados na pastagem, onde foram colocadas espécies florestais que ajudam a recuperar o solo, formam sombra para o gado e trazem várias vantagens para o meio ambiente. Há um benefício desse sistema ser dessa forma para os agricultores e familiares. Também há outros benefícios que, muitas vezes, não são tão visíveis”, contextualiza Gisele. Por isso, a proposta foi estudar as aves como parte do agroecossistema.

Os estudos foram conduzidos durante a primavera e o verão de 2016 e 2017, nos municípios de Santa Rosa de Lima e Imaruí. “Antes, eu trabalhava com ecologia de plantas e não conhecia as aves daqui, mas a metodologia desenvolvida em parceria com o Laboratório de Bioacústica possibilitou o trabalho com as aves através da vocalização”, explica. Para isso, gravadores foram implantados nos núcleos para captar o som das aves. A coleta de dados foi realizada a partir da instalação dos equipamentos em quatro habitats distintos: interior e borda da floresta, nos núcleos agroflorestais e nas pastagens sem árvores.

No total, a pesquisa utilizou 64 amostragens, em 2.400 minutos de gravações., Nas quatro propriedades selecionadas houve registro de 97 espécies de aves pertencentes a 44 famílias. Segundo Gisele, essa metodologia – de gravar o som emitido pelas aves e depois identificá-los – revelou-se uma técnica menos invasiva das que ela conhecia até então.
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