17/05/2022 às 16h34min - Atualizada em 18/05/2022 às 11h30min

Com juro alto e dólar em queda, vale a pena investir em startups?

Copom aumenta taxa Selic para 12,75% ao ano, maior patamar desde abril de 2017, e o dólar chegou a operar abaixo dos R$ 5 na última segunda-feira (16). Como essas variações afetam a destinação de recursos para negócios empreendedores?

SALA DA NOTÍCIA Leticia Leal

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou em 04 de maio um aumento de um ponto percentual na Selic, a taxa básica de juros da economia, que chegou a 12,75% ao ano, maior patamar desde abril de 2017. E o dólar, que chegou a ser cotado a R$5,00 (queda de 13% no ano), operou abaixo dos R$ 5 na última segunda-feira (16). Com um cenário de juro alto e dólar baixo, vale a pena investir em startups?

“Como disse o economista Harry Markowitz [vencedor do Prêmio Nobel em 1990], a diversificação é o único almoço grátis. Dentro de um portfólio de investimentos você pode reservar uma parte para investimentos menos conservadores, e nesse contexto as startups se destacam por alguns motivos. Além de oferecerem um alto potencial de retorno, essas empresas são um caminho para quem não deseja apenas o aporte pelo aporte. Você pode aumentar sua rede de contatos e ajudar negócios que impactem de forma positiva a sociedade”, exemplifica Carlos Junior, CEO do Grupo de Inovação e Investimentos Sai do Papel e investidor com mais de uma década de experiência. 

Criador da teoria moderna do portfólio, Markowitz influencia até hoje a composição de investimentos em todo o mundo. Uma de suas principais premissas é a diversificação. Segundo a ABStartups (Associação Brasileira de Startups), o mercado brasileiro de startups tem um tempo médio de retorno próximo de sete anos e um retorno em torno de cinco vezes superior ao valor investido, com TIR (Taxa Interna de Retorno) de 26,7%. “Considerando a complexidade do cenário, desenvolver um portfólio diversificado é um caminho sólido para reduzir riscos e aumentar o potencial de ganhos. As startups são negócios que oferecem grande possibilidade de lucratividade, e os números nacionais corroboram isso”, pondera Junior.

O que a necessidade de diversificação tem a ver com o atual cenário do Brasil?

O ajuste da Selic tem a ver com controle inflacionário e influencia diretamente o poder de compra da população. Quando a taxa estava no menor patamar histórico, perto dos 2%, muitos investidores aprofundaram conhecimentos e diversificaram apostas em renda variável. A alta da taxa, por outro lado, favorece aportes como títulos do governo e renda fixa, em um movimento chamado de crowding out. Uma pesquisa do C6 Bank mostrou que ao menos 60% das pessoas que investem já avaliaram se suas aplicações estão adequadas ao cenário do mercado depois que a Selic começou a subir.

O que torna o contexto mais impactante é que existe uma perspectiva que a Selic siga em alta, com projeção de superar 13% ainda neste ano. Na última segunda, o diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, explicou que a manutenção da taxa alta é importante no combate à inflação.

A alta da taxa básica fomenta a entrada de capital de curto prazo no país, o que contribui para a queda do dólar. O valor da moeda também é afetado por questões como a guerra entre Rússia e Ucrânia, a realocação de investimentos que estavam nesses países e a alta de commodities.

No cenário atual do Brasil, como ficam os investimentos em startups?

Quando a Selic estava em baixa no Brasil e nos Estados Unidos, investidores norte-americanos buscaram soluções na economia “real”. No entanto, o mercado deles estava saturado, o que direcionou aportes para empresas de outros países com cenário econômico similar. E o Brasil, com o dólar alto, era uma alternativa que preenchia esse requisito e ainda oferecia preços baixos para quem vivia em economias dolarizadas. Isso gerou um boom de investimentos estrangeiros em startups do país.

As mudanças no cenário brasileiro, com a Selic mais alta e o dólar mais baixo, tendem a diminuir a incidência de aportes estrangeiros. Como o número de startups no país segue em crescimento, isso abre caminho para quem deseja investir no segmento. 

“Mesmo considerando o valor da Selic, você pode reservar parte dos investimentos para um potencial maior de retorno. Startups cumprem um papel estratégico em portfólios diversificados e oferecem chance de ganhos em diferentes fases do negócio”, explica Carlos Junior.

Quais startups estão em alta com o cenário atual

A alta da taxa básica de juros impacta nos custos de operações e no preço final de produtos. Portanto, cria um contexto mais favorável para startups que oferecem negócios inovadores ou soluções que apresentem ganho de eficiência operacional.

“É um momento favorável para todas as soluções que tenham impacto no custo final da produção. Temos visto muitos empreendimentos que olham para etapas específicas, e a tendência é que eles ganhem relevância nos próximos meses. Investidores devem olhar com atenção para esse tipo de negócio como perspectiva de futuro”, finaliza o CEO do Grupo Sai do Papel.


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