11/05/2022 às 21h28min - Atualizada em 13/05/2022 às 00h01min

11% das brasileiras têm vergonha de buscar atendimento ginecológico

Desconforto faz com que mulheres nunca tenham se consultado com um ginecologista. A medicina virtual pode ser grande aliada da saúde íntima feminina.

SALA DA NOTÍCIA Redação

A pandemia da COVID-19 acelerou a adoção de tecnologia em diversas áreas - entre elas, a medicina, que viu crescer os serviços médicos online no período. A telemedicina foi utilizada por pelo menos metade da população em 2021, segundo dados da pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic). Seja para tirar dúvidas com mais agilidade ou receber orientações rápidas diante de uma urgência, os brasileiros se conectaram digitalmente com os seus médicos nos últimos anos. 

A Oya Care, primeira clínica virtual de saúde da mulher do país, lançou o serviço SOS Oya, que é um exemplo dessa tendência de digitalização da medicina. Ele oferece atendimento virtual para sanar dúvidas, queixas e incômodos de pessoas com vulva, se adequando às demandas da vida moderna - que cada vez mais requer flexibilidade e adaptabilidade tanto de horário quanto de formato de atendimento pelas empresas de saúde.

Segundo o Datafolha, 68% das mulheres consideram a ginecologia como uma especialidade médica importante para a sua saúde, mas 11% afirmam ter vergonha de se consultar com o médico. Esse comportamento afasta cerca de 5,6 milhões de mulheres brasileiras do ginecologista - sendo que, desse montante, 4 milhões delas afirmam nunca terem procurado o atendimento de um médico especializado em saúde íntima. 

“O consultório do ginecologista ainda é um ambiente muito desconfortável para parte das mulheres. Os exames podem ser bastante invasivos e a maioria das pacientes não sabem que podem pedir para o médico parar o exame a qualquer momento, caso se sinta desconfortável", esclarece Natália Ramos, ginecologista especialista em reprodução humana pela Santa Casa de São Paulo e membro fundadora da Oya Care. 

A médica também explica que muito desse desconforto vem de uma questão cultural. “As mulheres não foram incentivadas a conhecer e explorar o próprio corpo. É muito comum a paciente sentir vergonha de relatar questões completamente naturais - como corrimentos e determinados cheiros. Uma pesquisa que fizemos com nossas pacientes mostrou que mais da metade delas já desistiu de fazer perguntas por falta de coragem de tocar em temas mais sensíveis. Muitas evitam marcar consultas quando estão menstruadas, por exemplo”, pontua a ginecologista. 

 

Consulta online traz segurança e agilidade

A praticidade do consultório virtual faz com que as pacientes tenham um lugar seguro e confiável para tirar dúvidas que não podem esperar uma consulta com o médico de costume, e que geralmente são confidenciadas aos mecanismos de busca. Um levantamento da Doctoralia descobriu que 92% dos entrevistados já recorreram à internet para esclarecer dúvidas e 73% acreditam que a internet é uma ferramenta que os auxilia a tomar decisões corretas. 

Por mais que a internet seja uma boa fonte de informações sobre saúde, recorrer unicamente aos sites de busca pode ser um risco. Um estudo feito pela Universidade de Waterloo, no Canadá, aponta que pesquisar condições de saúde na internet pode nos fazer sentir pior e nos deixar ainda menos informados. Uma das descobertas da pesquisa mostra que pacientes que buscam os efeitos colaterais de certos medicamentos estão mais sujeitos a apresentar intolerância às substâncias presentes no remédio.

"A internet é um bom meio para conhecer novos tratamentos e se conectar com pessoas que estão lidando com as mesmas questões, construindo uma rede de apoio. Quando as pessoas passam a se autodiagnosticar ou se automedicar, porém, surge um problema de saúde pública. Por isso, é fundamental que as empresas de saúde estejam presentes no ambiente digital, assim o paciente pode recorrer a um profissional capacitado em vez de sites de pesquisa - e com a ginecologia não pode ser diferente", finaliza Natália Ramos.


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