12/05/2022 às 08h50min - Atualizada em 12/05/2022 às 11h31min

Caso Rodrigo Mussi ex-BBB22: entenda o que é a hemorragia cerebral, como funciona a cirurgia e os riscos

Neurocirurgião Dr. Feres Chaddad e neuropsicóloga Daniela Coelho explicam detalhes sobre a cirurgia e as complicações neurológicas

SALA DA NOTÍCIA Feres Chaddad
http://www.fereschaddad.com.br/

Rodrigo Mussi, ex-participante da edição do Big Brother Brasil 2022, sofreu um acidente de carro na madrugada desta quinta-feira (31). O gerente comercial, de 36 anos, deu entrada no Hospital das Clínicas em São Paulo com múltiplas fraturas, traumatismo cranioencefálico (TCE) e hemorragia cerebral grave. Segundo as informações, o impacto sobre o corpo e a cabeça aconteceu devido a Rodrigo estar sem cinto de segurança no banco de trás no momento do ocorrido, o que fez com que ele fosse arremessado para fora do veículo em movimento.  

Para drenar a hemorragia cerebral, de maneira mais efetiva após tentativas sem sucesso realizadas durante o dia, Mussi foi submetido a uma neurocirurgia. O neurocirurgião Dr. Feres Chaddad, Professor e Chefe da disciplina de Neurocirurgia da UNIFESP e Chefe da Neurocirurgia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica como é feito o diagnóstico do caso. 

"Quando sofremos um traumatismo craniano, o cérebro “balança” dentro do crânio, podendo se chocar contra o osso. Esse movimento anormal pode resultar em um coágulo ou sangramento cerebral, chamado de hemorragia. O primeiro passo é detectar o nível do traumatismo e o tipo de complicação apresentada. Normalmente, esse diagnóstico é feito através de uma tomografia ou uma angiotomografia, para então determinar qual procedimento cirúrgico é o mais adequado. Em caso de hemorragia intensa e sem resposta cognitiva, como o de Rodrigo, a microcirurgia torna-se necessária para aliviar a pressão no cérebro e reduzir o fluxo do sangramento", descreve Chaddad. 

Tipos de hemorragia cerebral 

O especialista aponta três principais tipos de hemorragia cerebral por traumatismo craniano, são elas: Hemorragia extradural (epidural) – quando o sangramento se localiza no espaço epidural, entre a dura-máter e o osso; Hemorragia subdural – que ocorre no espaço subdural, abaixo da dura-máter, entre ela e o cérebro; Hemorragia subaracnóidea – que consiste no sangramento difuso pelo espaço subaracnóideo, entre a camada interna (pia-máter) e a camada intermediária (aracnoide) dos tecidos que envolvem o cérebro. Além delas, há também a possibilidade de Contusão cerebral, um coágulo que se forma dentro do cérebro quando ele se choca com o osso.  

Tratamento  

O tratamento da hemorragia cerebral depende essencialmente do tipo, gravidade e extensão da lesão no cérebro. Nos casos mais leves, a prioridade é estabilizar os parâmetros vitais, garantir o funcionamento das vias aéreas, reduzir a pressão intracraniana com a ajuda de medicamentos e proporcionar o equilíbrio dos sais minerais (eletrólitos) no sangue, sendo necessário um período de vigilância para observar se o paciente apresentará melhora ou alguma complicação. No entanto, quando o caso é mais grave e sangramento é intenso e sem melhora, a microcirurgia é o caminho mais seguro e eficaz", reforça Feres. 

Riscos neurológicos e recuperação 

Pacientes que sofreram um traumatismo craniano com hemorragia cerebral podem apresentar alterações cognitivas e comportamentais a depender do tipo e extensão da lesão. As alterações costumam surgir logo após o trauma ou aparecer um tempo depois, como salienta Dra. Daniela Coelho, Psicóloga da Saúde e Neuropsicóloga - CFP, Especialista em Neurologia e Neurocirurgia – UNIFESP e Mestre em Neurologia e Neurociências - UNIFESP. 

"Um traumatismo cranioencefálico seguido por hemorragia pode provocar uma amnésia pós traumática (APT) que pode durar minutos, horas ou meses. A duração da APT está associada ao prognóstico e qualidade de vida futura do paciente. Alterações de atenção, fadiga, apatia, irritabilidade, flutuações do humor e mudanças do ciclo do sono costumam ser frequentes nesses casos", completa Daniela.  

Quanto antes o tratamento correto e os procedimentos médicos forem realizados, maiores são as chances de cura e menores são os riscos de sequelas. A recuperação integral deve contar com uma equipe multidisciplinar, com especialistas em neurologia, neuropsicologia, fisioterapia e fonoaudiologia, ampliando a visão sobre a qualidade de vida paciente e os possíveis danos neurológicos. 


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