04/05/2022 às 17h25min - Atualizada em 04/05/2022 às 17h50min

Dimas Covas diz que política industrial para o setor de Saúde é estratégico para o país

Diretor do Instituto Butantan ministrou a palestra magna de abertura do Fórum Brasil Saúde, durante a Medical Fair Brasil

SALA DA NOTÍCIA Agência Pub
Divulgação ABIMO
Repensar o sistema global de segurança e saúde, ajustar o regulatório deste segmento e a visão de trazer a política industrial para o setor de saúde como um ponto estratégico ao Brasil foram alguns pontos apresentados pelo médico, pesquisador e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, na palestra magna “Desafios das Doenças Infecciosas no Século XXI” do Fórum Brasil Saúde, que teve início nessa terça-feira, 03, no Expo Center Norte, na capital paulista, junto à Medical Fair Brasil.
A convite do presidente da ABIMO — Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos —, Franco Pallamolla, e do superintendente da entidade, Paulo Henrique Fraccaro, responsáveis pela realização do Fórum, Covas abriu a apresentação fazendo uma reflexão crítica sobre a pandemia de coronavírus que assolou o mundo todo nesses últimos dois anos e, claro, o Brasil. Com números bastante conhecidos do público, o diretor do Butantan destacou que — em maio agora — o montante de casos globais da doença chega a 514.037.961, sendo 6.263.614 óbitos. A situação no Brasil, hoje, conta com 30.460.997 casos contra 663.657 mortes. “Nesse desafio pandêmico, tínhamos que buscar combatê-lo. O que notamos foi um fracasso mundial, pois todos sabíamos que isso aconteceria, mais dia, menos dia”, comenta Covas, o qual lamenta que ficamos na dependência de outros países para a batalha de vacinas e novos medicamentos. “A pandemia expôs as nossas fraquezas e estas precisam ser encaradas de frente”, ressalta.
Durante a palestra, o especialista — e também integrante do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo — reforçou um ponto crucial enfrentado pelos brasileiros: a política foi o maior aliado do vírus no país. Em um artigo publicado na edição comemorativa aos 60 anos da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), intitulado “Ciência deve vir antes da política”, Covas destrincha alguns pontos que precisam de atenção para a melhor preparação e o atendimento do setor. Dentre eles está a revisão do Sistema Global de Segurança e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Este deve ser revisto. Demorou-se aí três meses para notificar a pandemia. Temos que pleitear a mudança do regulamento sanitário internacional”, comenta.
Para ele, as portarias precisam estimular as atividades industriais. Como exemplo, ele trouxe as políticas chinesas, que — há 10 anos — priorizaram o desenvolvimento de biotecnologia. De acordo com dados da apresentação, em 2020, a produção de vacinas deste país era de 100 milhões ao ano. Atualmente, este número já saltou para dois bilhões por mês. “No Japão também temos um exemplo interessante. A indústria da saúde está dentro da indústria quando olhamos para a esfera pública. O Brasil tem aí este que pode ser seu principal ativo: a política industrial para o setor como ponto estratégico ao desenvolvimento nacional. Precisamos de inovação, de pesquisa, da formação de gente. Estamos muito longe dos outros países”.
É uma demanda a longo prazo de implementação, mas que precisa ser feita e entrar na agenda. “O Butantan já era um grande produtor de vacina da gripe. Somos muito parecidos com a Sinovac. Agora, temos uma fábrica feita com multipropósito, a qual pode produzir ali três vacinas diferentes e é fruto desta parceria com a China. É fundamental uma política para o setor”, reforça Covas.
Em relação à questão regulatória, o diretor é bastante crítico, pois aponta a necessidade de regras que criem agilidade. “A ANVISA [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] usa técnicas de fora. Não estou falando para que estas sejam abolidas, mas sim que sejam facilitadas. Precisamos olhar para as necessidades do Brasil”.
Ele também complementa: “em 2020, no cenário em que estávamos, se tivéssemos uma vacina com 40% de eficiência, esta teria salvado muitas vidas; no entanto, esta não passaria pela ANVISA”. Para encerrar, Dimas Covas revelou que foi desenvolvido um soro para a Covid há mais de um ano. “Ainda não foi aprovado”, finaliza o diretor, que conta com experiência biológica e o qual ressalta que o Butantan produz soro desde 1901.
A coordenação da apresentação foi de Francisco Balestrin, médico e vice-presidente executivo do grupo Vita e membro do Conselho de Administração do Instituto de Coalizão Saúde. A programação do evento desta quarta-feira, 04, pode ser acessada neste link .
Serviço: Medical Fair Brasil
Data: 3 a 6 de maio de 2022, das 13h às 20h.
Local: Expo Center Norte, que fica à rua José Bernardo Pinto, 333 — Vila Guilherme, São Paulo — SP.

Entrada gratuita em toda a feira, exceto no espaço Cannabis Medicinal & Negócios

Programação completa: link
As inscrições podem ser feitas pelo site: https://medicalfair-brasil.com.br/pt/ ou presencialmente.
Sobre a Medical Fair Brasil
A feira Internacional de Artigos e Equipamentos Médicos, Hospitalares, de Laboratório e Reabilitação é a versão brasileira da MEDICA, maior evento de soluções para saúde do mundo, realizada na Alemanha. Além de ser um canal de comunicação com o setor, onde empresas apresentam os seus produtos, inovações e serviços com a finalidade de abastecimento e transformação da cadeia da saúde.
A Medical Fair é direcionada a administradores, gestores e operadores hospitalares, assistentes médicos, biomédicos, bioquímicos, enfermeiros, engenheiros clínicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, gerentes de laboratório, gerentes hospitalares, médicos e socorristas.
Sobre a MEDICA
Criada em 1969, a MEDICA é a maior feira do setor de equipamentos e soluções para a saúde do mundo. Em 2019, o número total de expositores foi de 5.598, com 114.538 m² de área vendida e 121.369 mil visitantes únicos. Possui 18 pavilhões transformados em um verdadeiro complexo interligado. São 77 escritórios de representação internacional, promovendo a feira em 141 países.
Sobre a ABIMO
A ABIMO — Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, representa a indústria brasileira de produtos para a saúde que promove o crescimento sustentável no mercado nacional e internacional. Fundada em 1962, a instituição conta com mais de 300 associados e surgiu a partir da ideia de 25 fabricantes de produtos médicos e odontológicos com o objetivo de fortalecer, organizar e regulamentar o segmento. Nesses anos de trabalho, a ABIMO expandiu suas operações de suporte à cadeia produtiva através de conselhos e grupos de trabalho, os quais respondem por todos os aspectos técnicos, operacionais e associativos do setor.
 
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