29/04/2022 às 11h03min - Atualizada em 30/04/2022 às 00h01min

Ciclo 25 de atividade solar: fenômeno ou catástrofe?

Hugo Henrique Amorim Batista e Larissa Warnavin (*)

SALA DA NOTÍCIA Hugo Henrique Amorim Batista e Larissa Warnavin
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E se a internet e os meios de comunicação dos Estados Unidos, Canadá e norte europeu ficassem em suspensão por 30 dias? Poderia ser o enredo de um filme de ficção, porém é um acontecimento possível, considerando a influência do Sol em nosso cotidiano. Isso mesmo. O astro rei influencia na dinâmica do campo magnético da Terra, e o problema está justamente aí, pois os sistemas de comunicação e internet funcionam basicamente com materiais metálicos e condutores de eletricidade que podem ser afetados pelo magnetismo.

Além da força magnética invisível exercida pelo Sol, por intermédio de suas reações nucleares, ele emite luz e calor para o sistema solar. Mesmo o nosso planeta situando-se a 150 milhões de quilômetros do Sol (o mesmo que dar 3.750 voltas de avião ao redor da Terra), somos irradiados com o seu brilho e potencial de calor que possibilita a vida e o equilíbrio do sistema terrestre. Por outro lado, as atividades magnéticas dessa estrela possuem uma capacidade energética muito ampla e de grande potencial de impacto em alguns períodos.

Em média, a cada 11 anos, o Sol realiza um ciclo de atividade magnética que é acompanhado pelos cientistas desde o século 16, por meio da observação das manchas solares. Ao longo de cada um desses períodos, conhecido como ciclo solar, há variação da intensidade magnética de menor ou maior potencial na atmosfera solar. Iniciado com menor intensidade de manchas solares em dezembro de 2019, o Ciclo 25 de atividade magnética solar tem aumentado sua intensidade nos últimos dois anos, chamando a atenção de pesquisadores da NASA e da Agência Espacial Europeia.

As manchas solares ocorrem da seguinte forma: diferente da Terra que possui dois polos magnéticos alinhados no sentido norte e sul, o Sol possui um campo magnético turbulento, com inúmeras conexões magnéticas não alinhadas a um eixo principal; a instabilidade magnética na região mais externa da atmosfera solar (Corona Solar) permite que ocorra entrada e saída de campos magnéticos que dão forma às manchas solares; as intensas explosões e trânsitos de campos magnéticos formam um caminho no qual poderiam passar três planetas Terra, tranquilamente; quando essas explosões são intensas o suficiente, há liberações de grandes quantidades de energia provenientes da corona (ejeção de massa coronal), ocasionando ventos solares que avançam para o sistema solar.

Ao atingir nosso planeta, o vento solar compacta o campo magnético terrestre em sua região equatorial e desloca-se para os polos, desestabilizando os gases da camada superior da atmosfera terrestre. A oscilação entre saltos quânticos dos elétrons dessa dinâmica pode ser observada a partir da superfície terrestre durante os eventos conhecidos como Aurora Boreal e Aurora Austral.

Mas, em casos em que tais explosões sejam muito amplas, as Auroras poderiam avançar mais em direção ao Equador, ocorrendo em uma latitude menor. Em 1859, a tempestade solar – conhecida como Evento Carrington – ocorreu no auge do ciclo solar. A potência do evento foi tão intensa que os sistemas de telégrafos na América do Norte e Europa entraram em pane e, em alguns casos, os telegrafistas receberam choques elétricos. Esses são momentos que nos levam a pensar o quão dependentes de equipamentos eletrônicos nós somos. Também, ter uma mínima dimensão da potência magnética do Astro Rei.

*Hugo Henrique Amorim Batista é licenciado em Física e Matemática, especialista em Educação. Docente da área de Exatas do Centro Universitário Internacional Uninter.

*Larissa Warnavin é geógrafa e doutora em Geografia. Professora da área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter.
 
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