12/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 15/12/2020 às 15h00min

'O Mundo para Iniciantes': catarinense que vive na Polônia tem mais de 86 mil seguidores no YouTube

Marcos Eduardo Carvalho
Mundo para Iniciantes
Nascida em Criciúma e neta de poloneses, a catarinense Ana Maria Reczek Smaniotto se mudou para a terra de seus familiares há três anos. Anos antes, ela já havia morado em São Paulo com o marido, o paulistano Fernando, antes de tomarem a decisão de tentar a vida no país do leste europeu.

Desde 2017, Ana e Nando fora para Wroclaw, no interior da Polônia, para tentar a vida. De lá, ele trabalha para uma empresa nos Estados Unidos e ela dá consultoria para clientes do Brasil e da Polônia, além de investir em um mestrado em Marketing, a área dela de atuação e já planejar um doutorado.

Ela é formada em Publicidade e Propaganda pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e atua como consultora de marketing digital. Na Polônia, Ana Reczek, que já trabalha com fotografia e com mídias sociais há mais de dez anos, resolveu criar um canal no YouTube chamado ‘O Mundo para Iniciantes’, logo após se mudar para a Europa. Desde então, já são mais de 86 mil seguidores, de todos os lugares.



No canal, Ana dá dicas de viagens, mostra o dia a dia da Polônia, a cultura local, curiosidades e todo domingo faz uma live em algum ponto da cidade onde mora. O fato de ter muitos parentes na Polônia ajudou a tomar a iniciativa de trocar de país.

Ela conta que começou o canal para mostrar para a mãe dela e para os amigos próximos que ficaram no Brasil e pediam notícias. “Então, ao invés de mandar fotos e contar as minhas aventuras individualmente, eu decidi gravar. O canal cresceu sozinho através do boca a boca e eu fiquei muito surpresa com a resposta incrível da comunidade de descendentes de poloneses no Brasil. Recebo comentários cheios de carinho e as pessoas divulgam os vídeos espontaneamente”, disse em entrevista ao Manezinho News.

“Eu adoro explorar lugares novos e sempre tive projetos pessoais de turismo. Já tive um blog sobre Criciúma, a minha cidade natal, depois mudei para São Paulo e por nove anos escrevi o São Paulo para Iniciantes. Já é natural registrar os lugares novos que eu descubro e eu me divirto bastante fazendo isso e conversando com as pessoas nos comentários”, afirmou Ana.



A publicitária catarinense ressalta ainda o ótimo relacionamento com os seguidores do canal. “Eles são demais! É uma comunidade super unida e que recebe muito bem quem chega novo. Todos os domingos nos reunimos às 14h de Brasília para um bate papo ao vivo. Já conheço o nome de quem vem sempre e sei sobre a vida das pessoas. Gostaria de encontrar todos ao vivo e adoro quando alguém vem passar férias na Polônia e passa aqui por Wroclaw”, conta.

Inclusive, segundo Ana, a resposta das pessoas aos vídeos a incentivou a estudar novas técnicas e a investir em equipamento para fazer vídeos cada vez melhores. “Fiquei muito feliz de poder comprar um drone e fazer imagens aéreas das florestas polonesas durante a temporada de cogumelos”, disse a catarinense.



FAMILIARES.

Segundo a catarinense, muitos parentes dela moram na Polônia, o que facilitou a adaptação. “A família da minha mãe está inteira aqui. Quando os meus avós poloneses foram para o Brasil em 1947 eles achavam que eram os últimos sobreviventes das famílias deles, mas anos depois descobriram que todos os irmãos ainda estavam vivos. Então tem todos os primos da minha mãe, é uma família enorme”, disse ela, que mora no interior do país.

“Eu moro na cidade de Wroclaw e vejo com frequência uns dez parentes de sangue e mais a família estendida deles. Mas como os meus avós tinham muitos irmãos hoje tenho primos de segundo grau na Inglaterra, Irlanda, Austrália, Alemanha, Lituânia e Bielorússia”, afirmou.

Segundo Ana, Fernando não tem parentes por lá e ficou surpreso inicialmente com a ideia de ir morar na Polônia. “Para ele foi um processo de pesquisa e aprendizagem intensa antes de decidir vir. Fizemos a nossa mudança em 2017, mas passamos pelo menos um ano planejando antes disso”, ressalta.



DESAFIOS.

Para todos que moram fora do país, nem tudo são flores. E, para Ana e Nando não é diferente. Para ela, o idioma polonês (quase impronunciável para nós, de origem latina), foi um grande desafio no começo.  “O idioma é a maior dificuldade para mim, sem dúvida, mas não é impossível. Sigo aprendendo”, disse.

A distância dos familiares no Brasil também é um fator de dificuldade. “Com o coronavirus eu não consegui visitar os parentes no Brasil esse ano e isso me deixou bem triste, a saudade está apertando. Espero que o mundo volte ao normal logo. Fora isso a burocracia polonesa não perde em nada para a brasileira, então passar por perrengues burocráticos faz parte de imigrar para a Polônia”, afirma Ana.



PANDEMIA.

Por falar em coronavírus, a pandemia da Covid-19 é mais um desafio na vida de Ana, que também retrata a realidade em algum dos vídeos. Ela ressalta que, por lá, as pessoas estão levando a pandemia mais a sério.
“Aqui todo mundo leva a pandemia muito a sério. As escolas não têm aulas presenciais desde março e nem na faculdade, a maior parte das pessoas estão fazendo home office e das 10h ao meio dia as lojas e supermercados são exclusivo para idosos. Além disso o uso de máscara é obrigatório e está proibido reunir mais de 5 pessoas. Quem não cumprir as regras paga multa”, disse.

“No verão o país deu uma relaxada e os casos aumentaram muito na segunda onda da pandemia, que já era aguardada com as doenças respiratórias que todos os anos chegam com o outono europeu, no final de setembro. Como o número de infectados aumentou mais do que o esperado o governo endureceu as regras novamente e desde 24 de outubro a Polônia está em alerta vermelho”, conta Ana
 
AMOR PELOS PETS.

Ana e Nando não têm filhos. Na Polônia, ela – que é apaixonada por gatos – acabou casualmente adotando alguns deles, que inclusive são um sucesso à parte em vários dos vídeos em ‘O Mundo para Iniciantes’.
“Os gatos são uma história interessante: a gente ama gatos, mas nunca planejamos ter pets aqui. Só que na vizinhança tinha muitos gatos que nos visitavam todos os dias e até entravam na nossa casa. Um dia uma dessas gatas entrou e se recusou a sair”, disse Ana.

“Ela estava grávida e ficamos com dó de colocar ela para a rua, então passamos dias sem fechar a porta dos fundos. A gente não tinha tem caixa de areia, era verão e ela saía e logo voltava. Acabou tendo cria embaixo do nosso sofá e nasceu só um gatinho. Eu fui morrendo de vergonha falar com a vizinha sobre ter roubado a gata dela, e essa senhora me disse que só alimentava ela, mas que era uma gata de rua”, continua.

“Adotamos a gata e o filhote e demos os nomes de Szara e Peleczek. Castramos mais alguns gatos de rua e uma gatinha dessas resolveu que não queria ir embora, então ficamos com ela também. É a Gosia”, completa Ana.



FUTURO.

Nascida e criada em Santa Catarina, Ana Reczek admite que tem vontade de voltar a morar na terra natal futuramente. “Penso sim (em voltar ao Brasil), com certeza, para morar em Santa Catarina. Meus pais moram na praia e a minha irmã mora na serra, são duas opções maravilhosas para escolher”, disse ao Manezinho News.

Enquanto isso, ela segue com os seus planos de vida no interior da Polônia. “(Quero) Terminar o mestrado, quem sabe fazer um doutorado. Continuar o canal para mostrar como a Polônia é linda, viajar mais para o Brasil nos próximos anos, ser feliz com a minha família e os nossos gatos”, afirma Ana.


Trabalhando home office, ela já pensou em trabalhar em escritórios e até já teve propostas para se mudar para a capital do país. “Já conversei com algumas empresas polonesas sobre trabalhar em escritório, mas nesse momento estou investindo no meu mestrado e pensando em um doutorado. Então decidi dedicar essa fase da minha vida a isso. Para a área em que eu trabalho, que é marketing, em Varsóvia tem oportunidades maravilhosas que já me deixaram balançada, mas aqui eu fico mais perto da família e esse foi o motivo principal de vir morar na Polônia”, finaliza.
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