10/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 10/12/2020 às 15h00min

Indústria puxa a retomada em 2020, diz presidente da Fiesc

Da Redação
Divulgação
A indústria de Santa Catarina puxou a retomada da economia em 2020, principalmente a partir de agosto e tem registrado desempenho superior à média brasileira em muitos indicadores. A análise é do presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Mario Cezar de Aguiar.
Nesta quarta-feira, ele ressaltou que o setor foi o grande responsável pela retomada do emprego. As vagas fechadas de março a maio foram recuperadas no período de junho a outubro e no acumulado do ano até outubro o setor de transformação e a construção civil registram saldo positivo de 33,6 mil vagas. “A resiliência do industrial catarinense e as medidas governamentais permitiram uma recuperação muito mais rápida do que se esperava no início da pandemia”, afirmou Aguiar.

Ele disse, em entrevista a diversos jornalistas nesta quarta, que a recuperação ocorre em diferentes velocidades entre os setores, mas, no geral, a indústria apresenta taxas de crescimento maiores do que as demais atividades.
“Um conjunto de fatores explica esse comportamento, como a adaptação aos protocolos de segurança, rápida retomada da atividade industrial e o auxílio de medidas do governo federal, como a MP 936, que teve grande aderência por parte da indústria catarinense, que firmou 363 mil acordos. Esse número corresponde a 43,5% do total de acordos do estado”, explica.

CONFIANÇA.

Dados do Observatório Fiesc mostram o elevado nível de confiança do industrial catarinense que alcançou 66,5 pontos em novembro (a média do país foi 62,9 pontos) e a maior intenção de investir da série histórica, com 74 pontos em setembro, contra 59,3 pontos da média nacional.

“A rápida retomada do consumo e da economia como um todo surpreenderam o industrial que precisou fazer rápidos ajustes para a retomada da produção. O efeito dessa recuperação repercutiu no maior índice de intenção de investir de toda a série histórica da pesquisa para Santa Catarina”, observa Aguiar, lembrando que, por outro lado, a surpreendente retomada desorganizou cadeias produtivas e trouxe desafios como falta de matérias-primas e pressão nos preços.

O faturamento é outro indicador que apresenta setores com recuperação, como é o caso de alimentos e bebidas que cresceu (23,4%) de janeiro a outubro na comparação com o acumulado de 2019, conforme dados da Secretaria da Fazenda. No mesmo período, outras atividades registraram expansão, como equipamentos elétricos (17,8%), madeira e móveis (7,3%), celulose e papel (7,9%) e fármacos e equipamentos de saúde (33,6%).

“A análise mostra que, como consequência das medidas de isolamento social, o padrão de consumo da população brasileira mudou. Aumentaram as compras de alimentos e bebidas e isso se refletiu nas vendas deste setor, que registrou o melhor desempenho entre os avaliados. Com a população passando mais tempo em suas casas, também cresceu o mercado de itens como eletrodomésticos e móveis e madeira”, disse o presidente da Fiesc.

O comércio exterior catarinense tende a fechar o ano negativo. De janeiro a novembro, as exportações registram queda de 9,4% e as importações diminuíram 9,1% em comparação com o mesmo período no ano passado. A alta do dólar, a crise do coronavírus no mundo e as distorções nos preços ocasionados pelo descompasso entre demanda e oferta de diferentes setores foram as principais causas para o resultado. Ainda assim, observa-se certa constância nos setores exportadores tradicionais, com expansão das vendas externas de suínos e madeira e móveis.

“Apesar de a indústria caminhar para a recuperação das perdas por conta da pandemia, há desafios no horizonte que exigem cautela para manter o nível de crescimento em 2021, como o controle do endividamento público, o reequilíbrio do fornecimento de insumos, as reformas estruturantes, o fim do auxílio emergencial e a demora para a chegada da vacina”, observa Aguiar. 
 
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