09/12/2020 às 00h00min - Atualizada em 09/12/2020 às 00h00min

​Fecam assina parceria na quinta-feira para SC receber vacina CoronaVac

Da Redação
Divulgação
Embora Santa Catarina ainda não tenha um plano estadual de vacinação contra a Covid-19 e esteja seguindo o Plano Nacional, a Fecam (Federação Catarinense de Municípios) se antecipou e anunciou que assinará o protocolo de intenções com o Instituto Butantan nesta quinta-feira (10), em São Paulo. A parceria formaliza o interesse dos municípios catarinenses em adquirir a vacina CoronaVac, do laboratório Sinovac, após a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Na segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que a partir de 25 de janeiro começa a vacinação com o imunizante chinês, priorizando os profissionais de saúde do estado. A vacina está na fase 3 de testes e aguarda a aprovação da Anvisa. O Ministério da Saúde, porém, já informou que uma aprovação demoraria cerca de 60 dias e o prazo de janeiro não poderia ser cumprido.

Equipe técnica da Fecam, prefeitos e prefeitas catarinenses no evento da capital paulista. A assinatura deverá ser formalizada por Paulo Roberto Weiss, presidente da entidade, e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas. As negociações para a construção do protocolo foram intermediadas pelo secretário de Turismo do Estado de São Paulo, o catarinense Vinicius Lummertz.

No dia 25 de novembro, equipe técnica da Federação esteve no Instituto para encaminhar e garantir que a assinatura acontecesse ainda este ano. “Em cenário de incerteza sobre o Plano Nacional de Imunização, em meados de novembro nós agilizamos e tratamos de sinalizar que os municípios desejam o acesso a vacina”, destacou Weiss.

Em conversa virtual com prefeitos na última sexta-feira (4), Dimas Covas elogiou a iniciativa da Fecam. “Essa iniciativa dos municípios de Santa Catarina é muito positiva e esperamos que ela seja copiada por outros municípios, outros Estados do Brasil. Isso significa se preparar para, de fato, fazer planos para a vacinação, quando ela estiver disponível”, ressaltou.

A Fecam acredita que a aplicação da CoronaVac deva acontecer ainda no primeiro semestre de 2021. “O ano de 2021 será de luta intensa contra o vírus. Um ano que seremos desafiados, continuaremos com as medidas que temos hoje com uso de máscara, distanciamento social e medidas higiênicas. Distribuir essa vacina e fazer isso em tempo curto é um grande desafio e muito importante”, destaca Covas, ressaltando que ao menos 80% da população precisa estar vacinada para que a pandemia acabe.

Para o consultor em Saúde da Fecam, o médico especialista em saúde pública, Jailson Lima, a iniciativa catarinense “é muito simples e lógica”.

Segundo ele, trata-se de uma vacina que é possível armazenar em refrigeração comum, com o menor custo por dose e logo deverá ser aprovada no Brasil.

Até a segunda quinzena de janeiro, informou o diretor do Butantan, serão 46 milhões de doses da vacina no Brasil, aguardando a liberação.

De acordo com o consultor, a Fecam toma posição ao assinar este protocolo de intenções pois busca alternativa o mais breve possível sobre vacina, trata o tema com o respeito à ciência e por isso faz a interlocução entre o produtor de vacina que está mais próximo à aprovação e os municípios catarinenses. Jailson destaca que os municípios receberam recursos do governo para enfrentar à Covid-19 e deverão ser utilizados exclusivamente em ações que combatam o Coronavírus. “Comprar vacina é uma postura que significa imunizar e prevenir a doença, principalmente a prorrogação dela com sua letalidade no Brasil”, acrescenta.

Não existe ainda acordo para volume de doses e início da imunização. O que se aguarda agora é a aprovação pela Anvisa para que se inicie a vacinação nos grupos prioritários e para que a fábrica no Brasil, no Butantan, produza atendendo as necessidades.

“Questões ideológicas não devem ser consideradas para essa ação. Precisamos nos basear na ciência e é ela que permitirá retornarmos a vida normal, sem Covid-19, sem doentes e sem mortes”, enfatizou o presidente da Fecam, criticando a politização da vacina.

CUSTO.

As duas doses previstas para imunização custam em média R$ 60 (R$ 30 cada dose). “De todas que se anunciam próximo a uma aprovação pela Anvisa, é a mais barata e mais fácil de logística e armazenamento”, acrescenta Jailson Lima.

A Coronavac é adaptada às condições brasileiras, pode ser transportada a temperatura de geladeira (de 2 a 8 graus), tem validade longa de três anos e pode ficar até 27 dias em temperatura ambiente (fora da geladeira) sem perder as suas características.
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