24/11/2021 às 15h23min - Atualizada em 24/11/2021 às 15h31min

Unimed Ribeirão Preto faz alerta para o aumento de casos de doenças respiratórias em crianças

SALA DA NOTÍCIA Verbo Nostro
Uma nova onda de doenças respiratórias fora de época tem atingido crianças em Ribeirão Preto. É o que apontam os números e registros da Unimed 24 Horas localizada no Hospital São Paulo.   Segundo levantamento feito pela cooperativa médica, com foco no mês de outubro, foi registrado um crescimento de 658% de casos na comparação com o mesmo mês em 2020. O estudo mostra que, enquanto em outubro do ano passado foram atendidas 236 crianças com diagnóstico semelhante, no mesmo período em 2021 foram realizados 1.554 atendimentos.   Os resultados acenderam um alerta para a equipe médica responsável pelo atendimento. Para averiguar a origem dos diagnósticos, a equipe teve decisão estratégica de fazer uma testagem de Covid-19 dirigida. A amostragem foi feita no período de 11 a 17 de novembro, quando a Unimed 24 Horas contabilizou 566 atendimentos só na especialidade pediátrica respiratória. Deste montante, 145 crianças passaram por testes Covid PCR, o que representou 26% das consultas realizadas no período. 

De acordo com o médico Moysés de Oliveira Lima Filho, vice-presidente da Unimed Ribeirão Preto, o Pronto Atendimento 24 Horas concentra um grande fluxo de pessoas e, com o registro deste aumento de demanda, a decisão de fazer os testes de Covid-19 foi tomada para dar mais segurança e certeza do diagnóstico, bem como dos protocolos de atendimento e tratamento. “Como aumentou muito o volume de crianças com queixas respiratórias e já que, neste período do ano não é comum acontecer isso, veio a dúvida”, pontua o médico.

Os testes foram aplicados no período de cinco dias. A iniciativa pioneira visou testar crianças que tinham queixas respiratórias, mesmo as leves, já que as graves naturalmente são testadas. “Diante de um quadro de sintomas leves, nem aqui e nem no mundo todo alguém faz este tipo testagem, mas adotamos os testes como diretriz para conferirmos ocorrências de Coronavírus e, diante destes resultados, decidirmos se poderíamos flexibilizar nosso fluxo de atendimento dentro do 24 horas”, comenta Moysés.

O resultado tranquilizou os médicos: apenas um caso positivo de Covid nesta faixa etária, representando 0,6% do volume de atendimentos, mas traz algumas indagações para a população, como: o que, de fato, está causando doenças respiratórias – principalmente em crianças até 10 anos?

A médica Fernanda Tomé, infectologista pediátrica, apresenta uma resposta encontrada pela equipe diante do estudo. Segundo ela, o isolamento social feito para conter a pandemia do Coronavírus, interferiu na circulação de outros vírus, diminuindo essa propagação. “São vírus que já causavam infecções nas crianças e que tiveram impacto na sua transmissão durante o isolamento”, explica. A médica acrescenta que a transmissão coincide com o retorno gradual das atividades e, por isso, a sazonalidade (distribuição dos períodos de ocorrência das infecções) se modificou. Geralmente, estes casos ocorrem mais pontualmente no outono e inverno. “Possivelmente também, o período de isolamento, em que as crianças não apresentaram infecções, pode ter resultado em um maior número de crianças suscetíveis no retorno das atividades”, acrescenta.

O levantamento foi coordenado pelo médico Moysés de Oliveira Lima Filho (cardiologista), com suporte das médicas Maria Angela C. Pimenta (coordenadora da Unimed 24 Horas), Karen Mirna Loro Morejon (infectologista) e Fernanda Tomé (infectologista pediátrica).

Esse fenômeno observado na cidade tem sido relatado em todo o país, conforme detectou o Sistema de Vigilância das Infecções respiratórias no Brasil, instalado para o diagnóstico e controle dos vírus Influenza e outros.

Prevenção

A Unimed Ribeirão Preto alerta que é possível conter um surto de doenças respiratórias infantis com medidas simples que podem ser aplicadas nos hábitos cotidianos da população. A cooperativa médica  ressalta que, diante do aumento de problemas respiratórios na primeira infância, vale reforçar as recomendações de higiene e os cuidados mantidos durante a pandemia. “Na verdade, estes cuidados sempre foram importantes para evitar a infecção por outros vírus, que até causam mais impacto nas crianças”, observa a infectologista pediátrica Fernanda Tomé.

A higiene das mãos, o uso de álcool gel, os cuidados ao tossir e ao espirrar e o afastamento das atividades quando as crianças estão doentes, para se evitar a transmissão a outras crianças, são fundamentais, sendo preciso manter estes hábitos de forma permanente.

“Os cuidados para evitar a transmissão e a vacinação são as principais formas de prevenção. Não temos vacinas para todos estes vírus, mas a adesão adequada às vacinas disponíveis permite que tenhamos o controle das infecções possíveis de serem prevenidas e os riscos de complicações como otites e pneumonias diminuam, tornando as infecções de menor gravidade”, declarou a médica.

Em geral, o tratamento aplicado nestas crianças envolve cuidados como hidratação e limpeza nasal adequadas, controle da febre e da dor, havendo indicação de medicações para crianças que apresentem exacerbação de quadros alérgicos ou acometimento pulmonar, além do antibiótico quando há infecção bacteriana secundária (otite, sinusite ou pneumonia). O atendimento médico é fundamental para esclarecer o caso e prestar suporte adequado.

Atendimento
A equipe da Unimed 24 Horas orienta que, em casos de crianças com sintomas respiratórios leves, bem como gripes ou resfriados, é indicado utilizar  inicialmente o serviço de consulta médica à distância: o Pronto Atendimento Digital, disponível em www.padigitalunimed.com.br, das 8h às 20h. A equipe médica responsável avaliará a necessidade do paciente ser levado à unidade hospitalar.

Dados do levantamento da Unimed Ribeirão Preto
Pediatria respiratória 2020

Julho - 333 casos

Agosto - 290 casos

Setembro - 293 casos

Outubro - 236 casos

 
Pediatria respiratória 2021

Julho -  1.098 casos

Agosto – 1.639 casos

Setembro – 1.770 casos

Outubro – 1.554 casos

 
Percentual do aumento de casos no ano 2021

Julho - 329%

Agosto - 565%

Setembro -  604%

Outubro - 658%

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